outubro 29, 2004

B 52's

Extraordinária a capacidade do governo em imolar-se. A ministra da educação vai transferir o seu gabinete da 5 de outubro para a 24 de julho.
Melhor incentivo à manifestação estudantil era impossível.

Man's wear

Não se pretende contar ganhos e perdas nem discutir ângulos ambivalentes, mas fica uma reflexão.
O director-geral da TVI foi desautorizado. Depois, elaborou um documento com a administração, garantindo que não volta a ser desautorizado.

Dias soalheiros



Motivos para AINDA esboçarmos uns sorrisozitos:
  • Mãe, irmã, cunhado, sobrinhos, amigos e namorado;
  • Uns diazitos em Barcelona;
  • Os textos do ‘Inimigo Público’;
  • O CD de Vinicius de Moraes;
  • A luta entre Rui Gomes da Silva e uma porta;
  • Ouvir Cavaco a dizer que é preciso rezar;
  • O humor do Dylan;
  • O aniversário do afilhado do Keizer;
  • As trapalhadas do Durão (sabe a: ‘eheheheh, nós já sabíamos’);
  • A reposição do Alf e do Seinfeld;
  • As gravatas do Sócrates;
  • Ver que o João Maia Abreu continua um borracho;
  • Imaginar o espectáculo que o Marcelo faria na TVI (com esta escangalho-me a rir);
  • Imaginar como entrará Santana no Congresso (de gatas ou numa grua?);
  • A escolha do vestido de noiva.

Antídoto para dias cinzentos

Encontrei-a na Plaza Real.
Corremos as Ramblas entre copos e junkies.
Divertimo-nos que nem doidos pelo Barrió Chino.
O fim da noite foi na Gare Marítima.
A ver o sol a nascer no Mediterrâneo.

Barcelona, encontrei-a na plaza real. Mão Morta.

Dias cinzentos III

Razões para acreditarmos que estamos na Quinta das Celebridades:

  • A caca continua, só muda o cheiro.

P.S. - Fotos encontradas demasiado chocantes para partilhá-las.

Dias Cinzentos II



Motivos para não acreditarmos na realidade:

Santana Lopes é PM;
Sampaio é PR;
George Bush é Presidente dos EUA;
Santana não aparece na comunicação social há, pelo menos, três dias;
Sampaio preocupa-se e emociona-se com Zeca Afonso (???);

Pedro Pinto entrevista Paes do Amaral e não consegue olhá-lo nos olhos;
Marcelo confirma pressões (tantas que nem vale a pena enumerá-las);
Vitalino Canas é hipótese para Câmara de Sintra (mas quem é que o conhece?);
Paulo Portas faz anúncio ao “Boca Doce” (‘é bom, é bom é, diz o avô e diz o bebé - frase utilizada para descrever Orçamento para 2005);
As fotos que existem no Trump’s do senhor acima e ninguém as divulga;
Notícia da TVI revela que parte de um muro de um cemitério ruiu (???).

Dias cinzentos I





Motivos para permanecermos na cama em vez de nos levantarmos para o trabalho:

  • Trânsito caótico;
  • Frio, chuva e vento;
  • Aturar os chefes e a sua indecisão, má disposição e burrice;
  • Ouvir comentários cáusticos e/ ou surreais dos colegas.

Divã de família

Agora:
Daniel Sampaio apela aos jovens para que se revoltem e derrubem o Governo.

Em breve:
Daniel Sampaio apela aos familiares para que se revoltem e derrubem tudo na próxima ceia de natal.

outubro 28, 2004

GO

De GlOrious.
Como mudaste a minha vida faz hoje dois anos tens direito a:
  • falar para sempre "axim"
  • a sorrir para mim sempre que descobrires uma brincadeira nova
  • a abraçar-me sem conseguires dar a volta aos meus ombros
  • a obrigar-me a estar com o radar permanentemente ligado só porque estás a andar
  • a fazer-me avaliar qualquer local pelo número, tipo e altura de arestas perigosas que tenha
  • a comer na cadeirinha com os pés apoiados nos meus joelhos enquanto enrolas os dedos
  • a derreter-te quando olhas para a mummy
  • a ter o feitio do daddy
  • a chamar-me Dinho...

... e a fazer mais não sei quantas coisas que fazes e que eu ainda não descobri. Tudo o que queiras.

(Eu sei, eu sei. São presentes para mim. Mas quem tem godsons assim...)

Le godfather

Pressão de ananás

Deolinda estava nervosa, sentada no refeitório vazio da fábrica. Nunca o sr. engenheiro tinha querido falar com ela depois das cinco da tarde, quando já deveria estar a apanhar o autocarro para apanhar os miúdos na mãe e seguir para o bairro. E no refeitório tão silencioso.
- Deolinda... aceita um sumol de ananás?
- Não obrigada, estou bem sr. engenheiro.
- Ia dizendo, Deolinda, queria partilhar consigo uma visão estratégica sobre a nossa empresa. Sabe, acho que era importante para a produtividade desta nossa família que as funcionárias pudessem ficar até um pouco mais tarde, assim por estes dias, está a ver?
- (...)
- E mais logo até poderíamos fazer um lanchinho... de convívio... à vontade, sem essas coisas de empregado e patrão, percebe-me? Fazermos assim um... como direi... um jeitinho... uns agrados... à vontade, sem problema nem drama nenhum, está a ver?
- (...)
- Ora, vá lá, não faça essa cara. Aqui não há sr. engenheiro nem Deolinda. É apenas uma conversa entre amigos.

Equívocos...

...de explicação simples.
Há o Engº Miguel Paes do Amaral e há o Engº Miguel Pais do Amaral.
Um deles terá falado com o Prof. Rebelo de Sousa e o outro terá sido ouvido pelo Prof. Rebelo de Sousa.
Sem qualquer confusão.

outubro 27, 2004

Dr. Bayard:

Porque é que o Engenheiro Pais do Amaral tosse sempre que mente?

Pen Pall

O nosso josé manuel já deixou marca. Pôs as instituições a funcionar, como disseram alguns, e valorizou o papel do parlamento europeu, tão necessitado deste fôlego.
Ainda que involuntariamente e pelas razões erradas. Mas os visionários verdadeiros não obedecem a um plano. Recuam na contemplação do disparate para dar a descobrir a obra. Ou vice-versa.
E se Deus escreve direito por linhas tortas, porque não pode josé manuel comprar um caderno igual?

A

De Agora.
Já cá cantam setecentos e vinte e oito "agoras". O normal é que quando estou contigo, mesmo quando tenho que te partilhar (que é a maioria das vezes desde que deixaste de me fazer sitting), o agora valha por todos os antes.
Não percas isto de vista. Queres todo o mimo agora, toda a correria agora, a atenção toda, agora.
Deixa que com o depois preocupo-me eu. Palavra.
Le godfather.

Foi você que pediu um contraditório?

O contraditório é bom. Para o aumento de emprego. Amanhã, um contigente reforçado de limpeza tentará varrer, ao longo de uma manhã e parte da tarde, uma camada de pó anteriormente conhecida por rui gomes da silva.

Adivinho que hoje santana não fez uma simples sesta. Passou mesmo pelas brasas.

outubro 26, 2004

Voltaram a raptar a Princesa

Por muito que me custe admiti-lo, confesso que me enganei e que é com orgulho que oiço dizer que, José Barroso seja louvado, deixámos de ser os eternos coitadinhos da União europeia e que até já exportamos boas práticas para as instituições comunitárias.

Graças a José Barroso, estamos em quarto lugar no ranking dos Estados-membros com mais funcionários nas instâncias comunitárias - leia-se Gabinetes de Comissários. Quando Barroso abandonar a Comissão, provavelmente poucos restarão daqueles que agora entraram, insisto, para Gabinetes, sem passar nenhum concurso. Mas isso pouco interessa. Viva José Barroso!

A Comissão Barroso será enfim votada esta semana pelo Parlamento europeu e Buttiglione será o próximo Comissário para o Espaço de Liberdade, Segurança e Justiça. No humilde exercício das suas funções, terá que tomar decisões em matérias tão prosaicas como as liberdades individuais – não foi ele que disse que a homossexualidade era pecado? - ou a imigração – não apoiou ele a ideia de criação de ‘campos de espera’ para putativos imigrantes, nos seus países de origem? Como mulher, não aceito que se vote num senhor que hoje, em pleno século XXI, defende que o lugar das mulheres/esposas, é em casa a educar os filhos. Basta que uma mulher vote a favor desta Comissão para que a Princesa Europa seja defraudada. Mais grave ainda é o facto de Barroso ter conseguido exportar para Bruxelas o que temos de melhor: a duplicação institucional. É bem conhecida a tendência portuguesa para a Administração paralela, esvaziando a Pública, dos seus poderes. Ora, Barroso não arranjou melhor forma de convencer os deputados europeus a votar na ‘sua’ Comissão do que prometer que criaria uma estrutura, sob sua supervisão – o que, diga-se de passagem, nos deixa muito mais descansados -, para fiscalizar eventuais desvios de Buttiglione. Forza José Barroso!

Sexta-feira, se tudo correr bem, encontro marcado em Roma, como em 1957, para a assinatura do Tratado constitucional da União europeia. Europa esperava uma filha, saiu-lhe um filho. Embora não se saiba nem quando, nem como se vai colocar a decisão sobre a sua ratificação aos Portugueses, talvez não fosse má ideia o governo começar a pensar na possível eventualidade de criar uma estrutura inter-, para-, ou extra-ministerial qualquer para trazer este debate para a praça pública. Antes que o resgate pedido pelos raptores da Princesa seja alto de mais.

PC

Notas finais, à la surfista vichyssoise: a primeira para agradecer o empréstimo deste speaker’s corner; a segunda para George Weah – sim, o futebolista -, que se poderá tornar no próximo presidente da Libéria. Hélas, mais um Jorge.

Acho que este nem precisa de comentários. Que maravilha, isto dos blogues. Keizer Soze.


TI




De ti.
Diz-me lá: como é que fazes para transformar as tuas conquistas quotidianas nos maiores acontecimentos da minha vida?! Fazes ideia do que é para mim ouvir-te dizer "Thanks!" pela primeira vez??
Ou para os alquimistas é indiferente se usam gesso ou cobre desde que criem sempre o ouro?
Nunca coubeste em mim. És maior.
Le godfather.

Calendário de alma


Com a voz de Nicole Blackman e a música de Alan Wilder,
a sofisticação sombria que abandonou os Depeche Mode.

I want
to know how it will end.
to be sure of what it will cost.
to strangle the stars for all they promised me.
you to call me on your drug phone.
to keep you alive so there is always the possibility of murder later.
to be there when you learn the cost of desire.
you to understand that my malevolence is just a way to win.
the name of the ruiner.
matches in case I have to suddenly burn.
you to know that being kind is overrated.
to write my secret across your sky.
to watch you lose control.
to watch you lose.
to know exactly what it's going to take.
to see you insert yourself into glory.
your touches to scar me so I'll know where you've been.
you to watch when I go down in flames.
a list of atrocities done in your name.
to reach my hand into the dark and feel what reaches back.
to remember when my nightmares were clearer.
to be there when your hot black rage rips wide open.
to taste my own kind.
to be wrapped in cold wet sheets to see if it's different on this side.
you to come on strong.
to leave you out in the cold.
the exact same thing but different.
some soft drugs...some soft, soft drugs.
to throw you.
you to know I know.
to know if you read me.
to swing with my eyes shut and see what I hit.
to know just how much you hate me so I can predict what you'll do.
you to know the wounds are self-inflicted.
a controlling interest.
to be somewhere beautiful when I die.
to be your secret hater.
to stop destroying you but I can't.

37. Quase 1 por cada 10 dias num ano. Lentamente, para sentir o corpo alimentar-se até tingir a tranquilidade.

And I want and I want and I want and I will always be hungry
And I want and I want and I want.

Want, Liquid, Recoil.

Quantas faces devemos ter para dar?

- Asseguramos que as suas convicções pessoais não irão interferir com a sua prática política.
Foi dito sobre o designado comissário europeu da justiça, liberdade e segurança, Rocco "homossexualidade é um pecado e a família existe para permitir à mulher ter crianças e ser protegida pelo marido" Buttiglione.
Poderia ter sido dito sobre uma candidatura de Heinrich Himmler ao comité para a eliminação da discriminação racial, nas nações unidas.
É violenta, a analogia?
É violento o tempo político que nos guia.

outubro 25, 2004

SAN




Já por cá andas, quase, há dois anos. A ver se arranjo uma casa, só nossa, para guardar tudo o que ganhei contigo. É que não é só riso.

E nada fica arrumadinho. Como tu fazes, por exemplo, com brinquedos que eram meus e que agora são teus. Só nós é que percebemos onde nos pode levar um carrinho (mesmo que já não tenha capôt). Não digas a ninguém: vão querer vir todos. E eu tenho ciúmes. Teus.

Quero ir sempre ao teu lado. Guias tu...

Le godfather.

Espera por mim na esquina

Esperei. Esperei tanto que já nem sei quantos segundos tem um minuto, quantas horas tem um dia, quantos meses tem um ano. Esperei porque prometi que esperava, por respeito pela tua idade. Já não vens. Há quem jure todos os dias que te viu a ponta do cabelo e garanta que tu voltas para a semana, para o próximo semestre. Já nem sei o que és, o que foste. Se calhar nunca exististe. Maldita caixa de Pandora, esta, que eterniza a esperança na vida do Homem. Por causa dela oiço, já sem icterícia, crónicas da vida privada de um Ministro que se separou judicialmente da mulher para pagar menos impostos. Por causa dela percebo que homem que é homem muda de ideias dez vezes ao dia e não tem medo de lançar mísseis peregrinos para um ágora quase esvaziado por uma quinta onde os burros usam fio dental. Por causa dela acato decisões tomadas com base num risco previsto com seis meses de antecedência, e comunicadas às seis da manhã de uma sexta-feira, quando talvez se pudesse esperar pelo fim-de-semana e permitir às pessoas programar a sua vidinha. Porque é assim. Porque a chuva quando vem não nos pede a nossa opinião e até lhe agradecemos, pois já basta ter que decidir se vamos passear para o Colombo ou para o Vasco da Gama, se pedimos um empréstimo para as férias ou para trocar de carro.

Talvez um dia eu me canse de esperar e te abandone de vez. Ou talvez me apeteça voltar a arregaçar as mangas por ti. Mas temo que esse dia só chegará quando uma catástrofe te assolar, tipo Ferreira Leite convertida em ‘Nela a terrível’ de categoria 5 na escala de Saffir-Simpson, varrendo as SCUT de Norte a Sul. No dia em que, aninhada numa tenda instalada num estádio de futebol, partilhar metade de um pão com lágrimas com o Belmiro, vir velhinhos a morrer e a ajudar a tapar o défice, e crianças que só sonham com um dia tranquilo na companhia de um assistente de juiz.

Ainda aqui estou, sim, na esquina, sem saber se devo entrar no beco escuro para onde me guia o ruído ou seguir a luz azul com estrelas amarelas…

PC
PS: Isto de vez em quando convém ouvir os outros. Principalmente quando, como é o caso, têm a autoridade moral de ter baptizado este blog. Este espaço tembém é dela. Não pela autoridade moral, mas porque o que lhe "ouvi", no texto acima, merece mais o espaço do que o que eu lhe pudesse dizer hoje. Keizer Soze

Fora de época

O que acontece quando se faz uma universidade de verão no outono? Não são só as folhas que vão caindo.
PS só se preocupa com os ricos - Paulo Portas lamentando-se a miúdos neoconservadores, na universidade de verão de um partido fora de estação.

A contemplação pelas frestas da incompetência

A Refer tem o prazer de anunciar que o encerramento do túnel ferroviário permitirá aos lisboetas o resgate de um ex-líbris da cidade. A contemplação arquitectónica da fachada da Estação do Rossio.

outubro 24, 2004

Maços chocantes

Subindo a parada na sua cruzada anti-tabagista, a União Europeia decidiu que os maços de tabaco vão passar a ser acompanhados de imagens de choque , mostrando malefícios com um realismo brutal, visando desencorajar o consumo de tabaco.


Uma das imagens de horror escolhidas
para ilustrar os maços de tabaco
que mais poderá chocar os fumadores portugueses.

outubro 22, 2004

Alerta vermelho!

Governo discute hipótese de energia nuclear e temos um Homer Simpson como primeiro-ministro.

Sério candidato...

...a acidente mais divertido do ano é este. Escrito por um provável delirante criativo do Inimigo Público que assina na blogosfera como PPM.
E que depois de voltinhas deliciosas como esta:
(...)demonstrar que os comentadores e os jornalistas que criticam hoje o actual primeiro-ministro, quando cumpriu apenas três meses de mandato, limitam-se a repetir palavra por palavra os ataques dirigidos a Durão Barroso no início da legislatura(...)
Não resiste a terminar com o que realmente tinha vontade de dizer:
Se eu também fosse especulativo e utilizasse os mesmos métodos, diria que o que PP e outros pretendem é calar a voz de quem governa hoje o País, "amordaçar" e "censurar" quem pretende apenas defender-se dos sucessivos ataques de que é objecto. Ataques que, como se pode ler no competente acto de memória que é o artigo de Inês Dentinho, são apressados e prematuros. Mais do mesmo, como se costuma dizer.
Não é de arreganhar o dentinho?
Palmas. Não, a sério, standing ovation.

Ainda há decisões...

...que fazem sentido.
Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência vai funcionar, a apartir de 2006, no Cais do Sodré.
Assim, sim.

As pinadas* de Souto Moura

Depois das que deu recentemente, como observou o Keizer, rasura-se uma vez mais afirmando que apenas se tratou de "um desabafo acerca do sistema".
Não é preciso acrescentar muito mais quando a angústia-geral da república chega ao ponto dos meros desabafos, pois não? Costuma chamar-se a esses estados de alma a negação da capacidade do seu exercício.
Não é uma crítica directa e pessoal, é só um desabafo, como tão bem há-de compreender, dr. Souto Moura...
*Pinada: declaração extemporânea e autofágica desenvolvida por Pina, Sara.

outubro 21, 2004

The Muppets Show



Alertada pelo Dylan, fui ver este post. Rir é o melhor remédio, pois então!

Anuncío

Magistrado com inçuficiênssias na excrita da língua portugueza procura profeçor de purtuguêz para asseçorá-lo na redessão de acordões e de pareçeres.
Boa renumeração.

Ai, Portugal, Portugal

De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma bem saberá da oportunidade de o ter cantado ontem - com os Rádio Macau em aniversário do Flak - o verdadeiro concerto que salvou a noite, depois da indolência dos Magnetic Fields na Aula Magna.

outubro 20, 2004

Obituário

Faleceu, esta semana e em várias doses, o futuro de Souto Moura enquanto Procurador Geral da República. O óbito foi declarado pelo próprio fora do país com declarações que minam o sistema para o qual serve como um dos pilares.
A certidão foi assinada por uma diferença em relação às anteriores calinadas de Moura: este Governo não lhes fica indiferente. Santana Lopes manda dizer. E faz saber.
Faz saber que não se distrai como o anterior Governo: o Sr. Til escudava-se na necessidade da independência absoluta entre o poder executivo e judicial para não se pronunciar nem por em causa o PGR, entre outros actores de filmes vários. Fazia-o cavalgando a onda em que afogavam uma direcção partidária, demitindo-se mesmo de monitorizar as possibilidades que à Justiça se oferecem para escrutinar sem critério a acção dos partidos através do voluntarismo de magistrados de patente variada e competência indiscriminada.
Bem avisado, Santana não anda a dormir. Percebeu que aquela onda já não se deixa cavalgar - o que anula ganhos políticos para si. E ainda por cima explicaram-lhe que as ondas normalmente acabam em espuma, sem direcção nem forma, mas com o dobro da força. E que portanto um dia podia bem ver-se no ecrã de um qualquer enredo - ou no mesmo.
Ou seja: o incómodo de Lopes com a infelicidade das declarações de Souto Moura em Badajoz não se deve a um qualquer diagnóstico sobre a saúde do sistema de justiça em Portugal. É a expressão pública de que este Governo considera que o titular de um órgão por si nomeado deve ser politicamente acompanhado pela benção do poder que está. Que é o entendimento Constitucional, diga-se. A novidade é a ameaça de suspender essa benção se o pleno exercício da independência desse órgão implicar o escrutínio da classe política, dos políticos...
Não vá a maré mudar.
Na melhor tradição tevisiva: "Sr. Procurador: osenhoréoelomaisfracoadeus!"

O jovem irreverente

Cada vez mais vejo no Rui Unas - a melhor imitação de jovem desde Tozé Seguro - o Manel Luís Goucha do futuro. Falta-lhe ainda o golpe de asa dos predestinados e libertar-se do peso do veludo.

outubro 19, 2004

Se dúvidas houvesse, sobre o que quer que seja...



Este senhor disse sobre os serviços públicos de órgãos de comunicação social:
' ... não são os jornalistas nem administrações que vão responder perante os eleitores'.
Acrescentando: '... é necessário haver limites à independência dos operadores públicos'.

Zarzuela em dois actos

Guarda-chuva

Estranho. os dias de chuva trazem urgências passadas.



Is there something you lack,
When I'm flat on my back,
Is there something that I can do for you?
It's always something you ate,
Or it's something you hate,
Tell me is it the way that I touch you?
Have you found a new mate,
And is she really great,
Is it just that I'm much too much for you?
Stutter, Elastica.

"I do feel slightly like i'm having sex with the world at the moment, and i'm not sure if it's going to like me in the morning" - Justine Frischmann.

Faz-nos falta também já não o sabermos.

outubro 18, 2004

Magnífica Cruz




O cavalheiro que produziu estas declarações chama-se Braga da Cruz e é o Magnífico Reitor da Universidade Católica Portuguesa. Sucede que hoje lhe penhoraram o gabinete por ordem do Tribunal da Relação, que apresentou no inventário dos bens caçados o calendário acima, ao lado de um pacote de "Dodots".
Ora... podendo nós assegurar que apesar da coincidência nos apelidos não se trata de pai e filha... qual é o papel dos cleenexes???!!

Mau tempo




I wrote for luck.
They sent me you.
I sent for juice.
You give me poision.
I hold the line.
You form the queue.
Try anything hard.
Is there anything else you can do?
Well not much - I've not been trained.
I can sit and stand, beg n' roll over.
I don't read.
I just guess.
There's more than one sign.
But it's getting less.
And you were wet.
But you're getting dryer.
You use to speak the truth.
But now you're liar.
You use to speak the truth.
But now you're clever.

Wrote For Luck, Happy Mondays

Nem no futebol escapamos...

Alguns factos:
  • Pinto da Costa é um homem esperto, mas, bem vistas as coisas à verdadeira escala, é um esperto cá em Portugal;
  • Luís Filipe Vieira é um homem intelectualmente humilde;
  • Os factos anteriores foram adjectivados da forma mais generosa que encontrei, após aturado recurso do dicionário da Texto-Editora;
  • A actual companheira de Pinto da Costa (escapa-me o nome, confesso) não deixa de ser uma Senhora;
  • A (ainda) Senhora de Pinto da Costa não deixa de ser esposa do Presidente do FCP;
  • A primeira estava na Luz e não merecia ter sido desconsiderada; a segunda nem lá estava e já merecia ter sido esquecida;
  • Nenhum de nós tem culpa dos cavalos que dirigem os clubes que amamos (a não ser que votemos neles);
  • Sou cada vez mais demente pelo Benfica;
  • O Pinto da Costa inspira-me os sentimentos mais primários;
  • O que me destingue do Sr. Vieira é que eu sou capaz de reprimir os instintos mais primários;
  • Por indução matemática, resulta que o Sr. Pinto da Costa instiga a violência e o Sr. Vieira é primário.
  • A vergonha deprime-me.

Pensamentos soltos: síntese de estabilidade

A errática acutilante do pensamento de Pedro Santana Lopes voltou a tomar o país de surpresa. A recondução dos presidentes dos governos regionais reivindica a importância da estabilidade política. Brilhante e oportuno.
Nos Açores, a estratégia foi pensada com extrema fineza. Com a sua presença na campanha, liquidou os horizontes políticos de Vítor Cruz. Agradeceu Carlos César e a estabilidade política.
Já o faro político de Jardim deverá ter-lhe soprado ao ouvido que a sua estadia madeirense deveria ser curta. Antes que as consequências fossem mais sérias que o melhor resultado de sempre do principal partido da oposição. Ainda foi a tempo, salvando-se a estabilidade política.

outubro 17, 2004

Correio sentimental

Ana Costa Almeida, chefe de gabinete.

Cara Ana, sabemos que as exigências no desempenho de determinados cargos podem ser fisicamente extenuantes e que no mundo que nos rodeia a afirmação de masculinidade assume contornos sociais importantes. Mas ao contrário do que algumas revistas femininas tendem a fazer-nos crer, não deve sentir-se diminuida pelo facto do seu companheiro poder fazer uma pequena sesta depois. O mais importante é o casal manter um diálogo de compreensão e carinho.
Felicidades.

O Estado democrático

outubro 15, 2004

Depois o Negrão trata da desintoxicação da segurança social



São os votos do Orçamento de Estado para 2005.

outubro 14, 2004

Atípico

Depois de uma noite atípica, com Madalena Iglésias e a música do Dartacão numa pista alternativa de um bar deserto, um acordar tardio para ver um ministro esconder-se debaixo da bancada do governo quando dele se falou, no parlamento.
Precisado de um café, o jornal diz-me que o presidente da nossa república foi agraciado com um prémio qualquer por um qualquer conjunto de predicados incompreensíveis mas que estou certo fazem parte das suas preocupadas contrições, mais por serenidade e placidez. E foi elogiado por um reitor espanhol por ter nomeado o primeiro ministro desta nossa república.
Passado o café e o primeiro cigarro, a realidade ainda me parece difusa.
Atípico? Talvez não.

outubro 13, 2004

Dúvida apostólica romana

Se uma criança se curar repentinamente vendo o Portugal no coração, José Carlos Malato e as suas duas pastorinhas serão canonizados?

A poética de Wim Wenders invertida

Piloto entra em greve de fome para recuperar as asas
N'A Capital

O psiquiatra-da-Índia

Contaram-me que no Reino Unido um porquinho-da-Índia, visivelmete perturbado e incitado por uma raposa malvada, profanou a campa da sogra de um humilde caçador e cuspiu desafiante, enquanto segurava nos dentes o que restava de uma mão que tanto acarinhara os seus netos (da passada senhora, não da mão):
- Atchirem, che forem capaches!
O pobre caçador, em choque desde então, ainda hoje consulta o psiquiatra, o mesmo que JV, ainda sem os resultados pretendidos.

outubro 12, 2004

Quinta em Família



A central de comunicação do governo acaba de produzir um genial conceito, realizando uma ponte comunicacional de gerações. Combinando dois programas de entretenimento que deliciaram avós e netos, As Conversas em Família e a Quinta das Celebridades, os membros deste nosso extraordinário governo - Bagão Félix primeiro, Santana Lopes agora, não estando ainda sorteado quem será o concorrente seguinte - vão apresentar-se aos portugueses durante o telejornal, dispondo de 15 minutos de confessionário para articularem o melhor que lhes for possível uma imagem que possuam de si próprios e do que os rodeia, apelativa, engraçada, sem prejuízo de eventualmente poder fazer algum sentido.
De acordo com a produção do programa, posteriormente irão nomear-se entre si para deixarem o concurso, algo que de acordo com alguns colaboradores já têm vindo a ensaiar, numa demonstração de saudável desportivismo.
Aos telespectadores, e uma vez que não puderam expressar o seu voto nas urnas, será concedida a possibilidade de votarem a sua expulsão preferida por sms.

outubro 10, 2004

Deixa lá ver se eu percebo...

...o albinismo.
Primeiro, o detergente.
Depois, o amaciador.
Recomendações do fabricante:
  1. Adverte-se que o excesso de lavagem pode causar prejuízo à pigmentação intelectual.
  2. No entanto, toda a indigência é afinal um exercício perfeitamente legítimo da liberdade de expressão.
  3. Já as chapeladas, como ensinam alguns professores, só as dá quem sabe e só as leva quem se põe a jeito, ainda que por inabilidade democrática.

Há ainda, de facto, caro FA, um toque de 25 de Abril por fazer. Para salvar de si próprios os governos-com-dificuldade-de-relacionamento-com-a-crítica-e-a-liberdade-de-expressão-e-isso-da-democracia que acabam ridicularizados pela incompetência contraproducente nesse seu ofício. Por caridade democrática.

Ao ponto a que chegámos...


outubro 09, 2004

Sim??



Então, Engenheiro, está à espera de quê para se pronunciar sobre isto? Do teleponto?

outubro 08, 2004

A verdadeira notícia do ano

Tinha que ser uma Mulher. E, mais do que provavelmente, tinha que ser Africana. Nem sequer se trata de reduzir a distinção do Comité Nobel a uma questão de género - depois de Ebadi, é a segunda consecutiva a merecer o prémio e espero que essa coerência não seja inocente.
O que acontece é que apenas uma mulher africana, como Wangari Maathai, pode fazer este tipo de conexão entre a pobreza e o ambiente, dos dois com a Paz, e dos três com a condição humana da mulher, com esta naturalidade e esta força. Fê-lo porque nasceu sabendo que o papel comunitário da Mulher numa sociedade como a queniana, já de si cruelmente injusta para qualquer ser humano independentemente do género, mas não da etnia ou da religião, estaria inevitavelmente destinado a um estado de submissão, se não fosse capaz de garantir o desenvolvimento sustentável de toda a sociedade, com as próprias mãos.
Sofreu, apanhou, foi presa, mas ficou, com a perenidade das árvores, para explicar aos energúmenos exploradores da pobreza que grassam pela cúpula dirigente (indigente, mas é) daquele país - todos homens, aliás - que nenhuma mulher do mundo pode ser reduzida à responsabilidade de providenciar o alimento (como se isso fosse pouco). Nem a limitar-se a alimentar, sequer: porque têm uma comunhão especial com outra Mulher que é a Terra (nem por acaso é mãe, não é pai) ainda se dão ao luxo de fazer por garantir que hão-de perpetuar esta função. É que os seus filhos, e os filhos deles, também são homens. E hão-de fazê-lo independentemente da recompensa, como todas as Mulheres.
Fê-lo com uma generosidade e uma capacidade que vai além do género e mesmo do génio de muitas cabeças tão respeitadas por esse mundo desenvolvido fora (sabiam que Bush estava proposto na lista preliminar do Nobel, sabiam??). Já fez esta senhora mais pela nossa vidinha a espalhar sementes, do que qualquer cabeça wolfowitziana a elaborar teorias sobre preemptive attacks.
Curvo-me, limitado, com vergonha por não poder pôr uma imagem (o computador não está apetrechado para o efeito), e... pelo género...

outubro 07, 2004

Enquanto oiço as declarações do PM em Belém

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... não, isto não está a acontecer... 8, 9, 10, 11, 12, 13,... não pode ser, não pode ser... 14, 15, 16, 17, 18... ele não disse isto, ouviste mal... 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25... é mentira, é mentira... 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32... ele não disse que o Presidente ofende Portugal, não disse, não disse... 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39... ele não está a dizer que o Presidente não vela pelo regular funcionamento das instituições... 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46... em Belém!... não, ele não pode estar a dizer isto de Belém... 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53...
espera!
Aaaahhhh, que alívio. Afinal é sobre o golpe de Estado eminente na Guiné... uuuffffaaa....
NÃÃÃÃÃOoOoooooo........ fui eu que mudei de canal sem querer a meio... é mesmo ele... em Belém..., não pode ser verdade... 54 55 56 57 58 59 60 5........
Nem vou dizer nada. Por duas ordens de razão (se é que se pode aqui falar de ordem, ou de razão...):
Acho que já todos percebemos que criticar Gomes da Silva é bater no céguinho errado.
Pareceu-me, não sei se ouvi bem, não quero acreditar, mas pareceu-me ouvir de Sua Excelência o Primeiro Ministro deste país as seguintes sodomias:
  • Que o Presidente da República ofende Portugal (uma vez que ao chamar Marcelo Rebelo de Sousa a Belém quiz dar uma clara mensagem política - excitada, talvez, mas clara - e por isso supõe que tem o dever de averiguar se houve ou não pressão ou censura, o que neste ano da Graça do Senhor e com este Governo implica ofender os Portugueses);
  • Que o Presidente da República não vela pelo regular funcionamento das Instituições do Estado de Direito (que decorre da anterior sendo a "consequência política a retirar por parte de quem faz aquela suposição").

Jurei, e tenho cumprido com alguma parcimónia, que não escrevia mais sobre Jorge Sampaio. Quebro agora:

Já percebi que não é consigo que esta absoluta Fellinização deste país tem fim. Tiro a consequência política, como faz Santana Lopes. Não peço que demita o Executivo. Peço que se demita a si próprio.

Tão ingénuos que eles são...

A redacção da TVI manifestou-se, em peso, preocupada com a saída do Professor: 'A hipótese da informação da TVI ser condicionada por pressões políticas ou outras deita por terra todo o trabalho desenvolvido nestes últimos anos na construção de uma informação rigorosa e isenta', defendem os jornalistas do canal.

Hello!!! Is anybody home? Esquecem-se da informação/manipulação/recados/ sobre o processo Casa Pia, só para falar num dos mais flagrantes? Foi como o desgraçado, a quem disseram através do auricular, para ele referir em directo que 'a TVI sabe'. Ele perguntou à interlocutora (aquela que invoca a lei de Newton para justificar a queda de um brinco em directo): 'Mas sabe como?' . E a interlocutora (aquela que invoca a lei de Newton para justificar a queda de um brinco em directo) responde: 'Dizes que sabe e mais nada'.

Nnnnnhhheda-seeeeee!!

No title.

E está tudo dito aqui!
Sai como 'vítima', apoiado pela opinião pública (por muito que não se concorde com tudo quanto debitava) e com uma aura de mistério.
Aguardam-se cenas dos próximos capítulos.

P.S. - Sempre disse que gostava de ter vivido alguns dos tempos que antecederam a revolução. Começo a achar que já estive mais longe.

Qual reencarnação! Portugal, já, como feudo cubano!

Ainda hei-de ver...

... quem tenha destes...



... para fazer um discurso como este (mas noutra bancada)!

A explicação


Foi descoberto o motivo do mau início de época do Sporting. Segundo consta, José Peseiro escolhe o onze através de um sistema informático idêntico ao utilizado pelo Ministério da Educação e os resultados estão à vista: ainda não "colocou" o mesmo 11 em campo e ainda não "colocou" os jogadores nos lugares certos. Talvez seja este o sistema que Dias da Cunha tanto fala...
Mas este problema parece não ter solução. Seguindo o método do Ministério, Dias da Cunha aconselhou Peseiro a escolher o onze "à mão". Peseiro olhou para as duas mãos contou os dedos e disse: "Mas Presidente assim só jogamos com 10...!"

Entretanto num lar português...

- Então Rui?! Decide-te, homem, queres ou não queres?
- Desculpa amor, eu ainda te quero, mas de repente vem-me uma vontade do contraditório...

Objectivos de chumbo

Maria do Carmo Seabra quer reduzir a mobilidade dos docentes.

O primeiro módulo foi implementado este ano. A imobilização em frente a um computador esperando o resultado das suas colocações.

Nobreza

Há gestos que no meio de tanta menoridade merecem ser louvados, por enobrecerem a classe política, numa tradução de generosidade. A exigência do ministro dos assuntos parlamentares no princípio do contraditório associado ao comentário político é um deles. O contraditório não deve ser um exclusivo da acção deste governo.

outubro 06, 2004

Direito de resposta

Ao abrigo de uma decisão da Alta Autoridade para a Comunicação Social, A loira publica neste espaço o seguinte post, que agradece.
Não é à toa que linkámos a genuinidade deste bigo com o nome de Nó supra-external.
A referida Alta Autoridade está por apreciar a licitude da escolha feita por este blog de rebaptizar os blogues com os quais mantém links permanentes. Infelizmente, a deliberação está adiada por se encontrar a Administração deste Organismo de Interesse Público ausente em Bogotá na tomada de posse de Rui Gomes da Silva como Presidente Executivo do Grupo Media Capital

Confrontos imprevisíveis

O amor aos olhos da paixão

I'll vent my spleen
I'll keep my dreams
My flesh my bones my soul i own
My mind's a weapon immune from infection
Blood in my eyes my vision is clear

Your parasitic
Your syphilitic

Swastika eyes
Swastika eyes, she got swastika eyes


Swastika Eyes, Primal Scream.

Surrealismo Gomes da Silva

Os cidadãos portugueses exigem a intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação Social revoltados com as mentiras e as falsidades que são proferidas por um governo que tem um problema com o país.

outubro 05, 2004

O Porteiro

Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Católica, actual porteiro de estabelecimentos nocturnos, em missão nacional:
- Desculpe-me, sr. primeiro ministro, mas por falta de aproveitamento esta noite vai ser complicado deixá-lo entrar.

outubro 04, 2004

Um Partido maduro

Curiosamente, é com esta sensação de unanimismo volátil e de união da máquina partidária do PS em nome da conquista do poder - e isso foi inequívoco neste fim de semana - que me atingiu a certeza de que os Partidos, não apenas os de esquerda - não apenas os portugueses - se dirigem para a sua própria implosão.
O que o PS afirmou neste Congresso foi o cerrar de fileiras (muitas) - o que correu muito bem - adiando tudo aquilo que tem por esclarecer dentro de si próprio (que é bastante) - e que pode vir a correr mal.
A actual estrutura dos Partidos vai desaparecer, essencialmente, porque não está desenhada para responder a dois novos desafios: primeiro o da vanguarda na mobilização dos cidadãos em torno de causas estruturantes e na catalização da participação meramente cívica em sociedade; segundo o da comunicação programática e do seu ajuste face à pressão mediática.
O primeiro é um fenómeno endógeno aos Partidos que só estão habilitados a fazer estas manobras típicas de unanimismo em torno de um líder, varrendo para debaixo do tapete as ambições (também) legítimas daqueles que não afinam com a linha dura de uma direcção, e que por isso se traduz num remédio que não cura a doença - só atenua os sintomas. O segundo é uma inevitabilidade exógena a todas as formas de organização, sendo que as organizações partidárias estão muito desapetrechadas para lhe responder e em vez de terem a capacidade de criar um espaço de visibilidade para a sua mensagem, estão a fazer simplesmente o contrário: a adaptar a mensagem ao espaço de visibilidade que, porventura, os media lhes concedam.
E o requinte de malvadez é aquilo que em resultado destes dois obstáculos se pode observar na dinâmica dos Partidos, mais precisamente quando há sucessão no poder dentro deles:
no fundo, no fundo, a única linha condutora ao poder é a amizade. Não a amizade de que fala este post da Inês mas uma espécie de promiscuidade estratégica com eternos líderes do back-stage entronizados num perfume de poder nublado em nome não se sabe bem de quê, ou, em se sabendo, do aparelho. Ninguém me é capaz de negar que todos os militantes dos partidos, de delgados a Congressos a dirigentes de estruturas locais, não desenvolvem amizades interessadas em função, sempre, da melhor forma de proximidade ao poder que está, ou que esteja de uma próxima vez. Uns com os outros, com a imprensa, com dirigentes dos outros Partidos...
Há é uns quantos que o fazem com sacrifício, e outros que se sacrificam para o fazer. É a única diferença. Mas não traz muita esperança. Só deslegitima mais e mais os partidos aos olhos de uma opinião pública que, no caso da nossa, é completamente apática e inerte, mas não deixa de ter uma sensibilidade apuradíssima para estes malabarismos - que normalmente castiga. É aquilo que os dirigentes políticos chamam de maturidade do eleitorado. Não deixa de ter graça...