julho 30, 2004

A cinza também pesa na balança

Nobre Guedes ainda agora tomou posse da tutela do Ambiente e já perdeu percentagem significativa de património tutelado.
Em nome do equilíbrio da coligação é provável que o PP queira ser compensado com uma revisão na orgânica do governo.
Talvez a Secretaria de Estado de Recolha das Cinzas.

Caixa de correio

There were times when I could
Have "murdered" her
(But you know, I would hate
Anything to happen to her)
Girlfriend in a Coma, The Smiths.

Falta de não sentir falta.
Mais uma conversa, prometida, desistente, que não aconteceu.
Espero que estejas bem, apesar de...

julho 29, 2004

Rascunho de filósofo

Na antiguidade clássica, uns rapazes acabaram por construír um dos pilares perenes, senão o mais profundo, da nossa civilização. Chamavam-se os Peripatéticos.
Andavam de um lado para o outro, em zigue-zagues de lógica filosófica dos quais deduziam teoremas aos quais obrigavam os seus discípulos a chegar (quer eles o percebessem ou não) porque assim inventavam uma ideia de sociedade.
Exemplos: Platão e o outro que ostenta o mesmo nome que este meu aqui, desgraçado...
A diferença entre os filósofos de outrora e estes "outroras" de filosofia actuais está, como é fácil de ver, em que o que se pretende agora é chegar aos discípulos através de teoremas que tanto zigam como zágam subvertendo a lógica filosófica dos valores aos interesses de um lado, ou de outro, por onde não se importam de derivar ao sabor daquilo que momentaneamente lhes seja mais... produtivo.
Peripatéticos é uma expressão que assume hoje novos contornos. Sócrates era um "ideota". Este derivado actual também é. Mas merecendo mesmo o "i" no meio.

PS: cá por mim, rapaz, descansa que não me esqueço que andavas a preparar a tua subida enquanto outros davam a cara. A vida é uma soda, já dizia o teu tio...

julho 28, 2004

2 a.m. de uma madrugada intemporal

A vantagem de olhar em frente é a possibilidade de sermos surpreendidos pelo que nos foi ultrapassando, através das fissuras impossíveis e inevitáveis, esperando-o com o desdém ensaiado, visceral e tão certo.
E a estúpida música para ilustrar este escrito.

"The child's eyes uttered joy
 And stilled my heart with sadness
 For the way we are"
How beautiful you are, The Cure, 1987.

julho 27, 2004

Ar condicionado

(ou entre o calor e o barulho)

A loira não gosta de nós.
A loira prefere a praia e os tunísios.
A loira agora é cidadã do mundo.

O sacrifício iluminista

Para chegarmos ao conhecimento temos forçosamente que ser exógenos, estranhos. Distantes.
A profundidade da compreensão implica sempre a efemeridade. E não por anulação da subjectividade ou do nevoeiro emocional. Não se trata de método científico. Pelo contrário: como alguém me ensinava no outro dia - "tem que ser Descartes com Candomblé!".
Viajei de volta a uma interrogação onde vivi há dois anos. Nessa época não fui cosmopolita intelectual nem assimilado no exílio. Despojei-me e entreguei-me às alturas. Para absorver. Inquietante, agora que conheço o alcance do meu fracasso.
A Índia forma 1.800.000 engenheiros informáticos por ano e espera-se que em 25 anos ultrapasse a população da China. A Indonésia mandou 200.000.000 de eleitores a votos naquela que é simultâneamente a maior e mais moderada democracia islâmica do mundo - sem altercações. O Japão não tem nem território nem recursos naturais - está no "cutting edge" do milénio de Peixes e nem por isso se baseia na exploração de mão-de-obra. A China - "Yes, still communist..." - é hoje o único bloco verdadeiramente autónomo dos EUA (aliás em "Plan of Attack" de Bob Woodward lá aparece que no brieffing sobre ameaças externas sobre os EUA conferido ao cowboy Bushvique e a Rumsfeld, a China aparecia em terceiro lugar). Prepara-se para a ultrapassagem. Em tudo, e em breve.
É da Ásia a nova Renascença.
E porquê? Porque na Ásia se domina o chamado "Capital Simbólico". Não, não me converti nem a Krishna, nem ao Corão. Não acredito no Deus Católico. Mas também já percebi que não sou - não somos - a criatura/reflexo de perfeição na Terra. Porque acredito, sim, no potencial infinito do género humano e nas limitações que nos são impostas - todas artificiais.
E é destas limitações que "estes seres baixitos, amarelados", famintos aos milhões, se andam a desviar.
Usando, milénio após milénio, do mesmo capital simbólico. As mesmas orações, os mesmos ensinamentos, as mesmas respostas aos fenómenos naturais, os mesmos Deuses. A mesma, exacta, forma de construír uma casa. Com tecnologia anti-sísmica rodeada de rituais de bambu e oferendas à Mãe-Terra. Que não tem 2000 anos. Tem 100.000.
É o Candomblé que se serve de Descartes e não ao contrário, como nos quis convencer essa perene instituição da Igreja Católica que foi a Sagrada Inquisição.
E foi no meio desta vegetação simbológica exuberante que me vi regressado àquela "praia adiantada" do Cinatti. Vivendo lá, temi o "Estado Falhado" de que falava Khalevi J. Holsti. Passando por lá conheci a procura da "Felicidade Nacional Bruta" em vez da busca pelo PIB de Singapura.
E que solução tem aquele Povo para a atingir? Qual é o próximo passo?
É o animismo ideológico: "Estamos a matar a Mãe para ir ao baile do orfanato".
Assim.
Se eu lá vivesse, indignava-me. Como só lá estava de passagem, fez-se-me um clique.
Só agora, meu Deus...

 


julho 26, 2004

Post It


Simplicidade semântica

"De barraca em barraca, até à intervenção final"

No Público, João Jardim e a festa do Chão da Lagoa.
Quem pode dizer que por vezes a imprensa não é objectiva?

julho 23, 2004

Impossibilidade do silêncio


Carlos Paredes, 1925 - 2004

Se fosse possível a Portugal silenciar-se por um momento,
ouvir-se-ia sempre a guitarra de Carlos Paredes.

julho 21, 2004

A arte da guerra

Aparentemente, vamos ter uma Secretária de Estado da Defesa Nacional das Artes e Espectáculos.
É bom acabarmos com o castrador imobilismo militarista.
A partir de agora, em qualquer formatura ou parada militar, lança-se o desafio:
- Jovem! Se achas que tens sensibilidade artística, dá um passo em frente.

A Ana

Muitas vezes dizer as palavras todas, com verbo tempo e modo sai... ridículo.
Um olhar basta.
E não há "obrigado" mais sonoro ou audível que seja mais explícito que uma cumplicidade qualquer.
Aprendi hoje com a Ana que as mulheres nunca são iguais. São é sempre mais dignas.
"Olhar". E chega.

Ainda Vilar de Mouros


Polly Jean Harvey
 
A imagem foi capa do blitz desta semana. Belíssima.
Das que não necessitam de palavras. Só as da própria.

julho 20, 2004

Comunicação subliminar

Mesmo quando parece irremediável, também há o cansaço. 
Talvez esgotado de perplexidades, o Público esqueceu a política por um dia e  mergulhou a primeira página de segunda-feira nos The Cure em Vilar de Mouros.
Traduzirá a referência ao negrume do grupo de Robert Smith um sinal dos tempos?
Angústias, pelo menos, saudáveis...

Verdade Bíblica

Pela leitura atrapalhada, passando páginas, caricata, na cerimónia de tomada de posse, adivinha-se como será a aplicação do Programa de Governo.
 
Belém assiste sempre ao nascimento de algo novo.

julho 17, 2004

4 observações sintomáticas

1. Colagem milimétrica a quem caucionou, condicionante, logo, impeditivo de ter sido de forma diversa. Campanha eleitoral com margem explicativa alargada.
 
2. Na impossibilidade de atrair uma personalidade prestigiante e na inconveniência, por diversas razões, de uma solução partidária de linha menor, as finanças entregues a uma imagem de preocupações sociais associadas, dentro da coligação e sem comprometimentos inultrapassáveis. Solidariedade envenenada e de grande utilidade estratégica.
 
3. Ambiente e Turismo, cumprindo quota de atribuição popular, sem relevo de enquadramento técnico.
 
4. Actual e anterior homens do aparelho partidário sucedendo-se na essencial tutela do poder local.
 
 
Boa sorte. A todos nós.  

...consumidas a grau zero

Correcção imposta: ambiente e ordenamento afinal ainda juntos. Equívoco meu, em equívoco que ganha não se mexe.
 
Figueiredo Lopes ainda não foi localizado. Perdido no fumo, um ano depois.
 
Titular da Cultura já é conhecida. Continua sem se saber quem é. Restauro patrimonial à vista.
 
Vocações desenquadradas e perfis desajustados, diversos, divertidamente.
Foi, com toda a certeza, um grande sorteio. Kapitalizado. 

julho 16, 2004

Escolhas a 40 graus

Primeiras boas escolhas:
 
Bagão Félix nas Finanças. Continuidade programática imposta pelo Presidente da República, depois de angustiar os pensionistas, estende-se a todos os portugueses.
 
Daniel Sanches na Administração Interna. A missão fundamental do antigo homem das informações secretas será localizar o paradeiro de Figueiredo Lopes, visto pela última vez a passar revista a um grupo de pauliteiros de miranda, tomando-os por um batalhão da GNR. Teme-se que ainda não tenha conhecimento da mudança de Primeiro-Ministro.
 
Luís Nobre Guedes no Ambiente. Sensata a separação do Ordenamento do Território, uma vez que nunca foram concomitantes. Mais sensato ainda um reputado jurista na pasta, face aos previsíveis processos movidos por associações ambientais e entidades civis.
 
O Ministro da Cultura. Não se sabe quem é. Também não se sabia quem era o anterior. Por isso mesmo.
 
Nota final para uma intenção misteriosa, divulgada pela comunicação social:
Mexia nas Obras Públicas. Resta saber em que circunstâncias.


julho 15, 2004

De XXXXX

Praia presa, adiantada
no mar,no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
XXXXX ressurge das águas,
praia futura invocada.

Ruy Cinatti, obrigado por este que diz tudo.

julho 14, 2004

Ilha cercada

Se alguma vez amarem, adivinharão então uma ansiedade física, ébria.
Contida. No outro.
Sem certeza. No risco.
Há um suspiro sussurrado para dentro, uma metadona de segundos.
Uma ventosa de paixão, que nos deixa no vácuo. Porque apenas a conseguimos ver pendurada. Mas está lá.
Já ela me disse. Com o pescoço, com as rugas de expressão. Porque veste a pele de um encarnado que até eu vejo. Involuntariamente. Nada me desperta tantos terminais como isto.
Estou no terceiro Continente consecutivo. Nem sombra de Jet-Lag. Por causa dela.
Mas tem a mão presa a uma linha de escolha. De compromisso redondo, inultrapassável. Inultrapassável.
Mas o sopro do coração continua, como nos cantavam os Clã.
É extraordinário como à volta dela só há mar. Mais nada aparece à vista. Pelo menos na minha.

PS1: há três anos votei entre duas ópticas de regime muito bem definidas: uma que chamava ao cargo a que concorria de "forças de bloqueio"; a outra que combatia pela legitimidade política do regime valorizando o cargo que disputava. Votei na segunda. Por causa dela, perdi à primeira. E agora espero por alguém que ao contrário de Sampaio volte a legitimar o regime. Porque contar deputados também eu sei. Melhor, se calhar.
PS2: Dylan, estou num teclado inglês. Fazes o favor de me corrigir estas calinadas todas?

Este editing foi "powered by" uma Embaixada de Portugal qualquer.

julho 12, 2004

Portugal, o novo.

Alegremo-nos, pois começamos a tocar a fascinante linha do futuro.

Ministérios espalhados pelo país como castelos medievais, criando o conceito de mini-cidades governamentais com milhares de funcionários migrantes e concursos locais para preencher quotas regionais de cargos governativos.

Falta definir se a localização do ministério da economia se regerá pelo critério de maior concentração empresarial, rendimento per capita, ou número de trabalhadores, sendo que o encerramento de empresas e os correspondentes desempregados castigarão o distrito com pontos negativos e aviso de deslocação ministerial.

A área cultivada em hectares, o volume produtivo, a diversidade dos produtos agrícolas ou os sitemas de cultivo poderão ser premissas para acolher o ministério da agricultura.

A localização da secretaria de estado do turismo obedecerá a quesitos que terão em conta o turismo rural/balnear, a taxa de preenchimento hoteleiro, a oferta de diversão nocturna - reconhecidas festas de jet-set darão pontos extra - ou a qualidade das praias e respectiva quantidade de bandeiras azuis.

Já os conselhos de ministros em video-conferência lançam-nos na vanguarda das tecnologias de comunicação.

A luminária do pensamento político profundo começa a fazer-nos ver o túnel ao fundo da luz.

Dassss!!!!!

Estou tão triste que não consigo escrever aqui nada. Só consigo acenar que sim com a cabeça ao ler o companheiro 'Barnabe'...

julho 11, 2004

A verdade na forma mais simples

A televisão passava imagens de Santana Lopes explicando as suas orientações para o país. Ouvindo o nome de Portugal, associando-o à final do europeu que tinha assistido em casa, soltou espontaneamente, deixando-me um sorriso de ternura, assombro e alguma amargura:
- Portugal perdeu!

Chama-se Ekaterina, a nossa Catarina. Ainda não tem 5 anos.

julho 10, 2004

"Portugueses (?...)"

Confusa e contraditória, com perplexidades democráticas e extrapolações constitucionais nas garantias de controlo programático do novo governo.
Reveladora de uma amálgama de indecisões, mais ainda do que uma decisão translúcida.
Comprometedora da cidadania que sempre incorporou.
Não faltará matéria e consciência para volumes de reflexão, labirínticos. Talvez escritos em branco.
Porque a certa altura da vida todos precisamos de criar os nossos fantasmas, que assumem inúmeras formas e medos, mas têm sempre o mesmo nome.
Solidão.

O dia em que a ética nasceu em carne viva

A dignidade é sempre inadiável. Para poucos, mas é. Não surpreende, por isso e porque tive o privilégio de conviver com ela em dois anos e meio.
Mas raras vezes carrega consigo a perda profunda.
Porque quem se segue não lhe merecia o obituário elogioso e aliviado, sem ser obrigado à coragem do confronto.
Porque quem não a possui não lhe merecia o argumentário da demissão emocional.
Porque a legitimidade duvidosa não lhe merecia a importância de uma primeira vitória, quando ainda não foi a jogo.
Pela importância do que ficou por se cumprir.
E pela tortuosa ambivalência da admiração não permitir o sossego que deveria.

Mas raras vezes carrega consigo a perda profunda e isso, Eduardo Ferro Rodrigues, encerra um valor inestimável.

O 9 de Julho...

Não estava à espera deste desfecho, pelo menos de parte dele. Terei ainda de ouvir o meu 'conselho de estado'... de alma... Uma coisa é certa: A dignidade manteve-se!
Espero agora para ver os coelhos (não o Coelho) saírem da toca. Espero agora para ver se a altivez com que, até aqui, alguns se pavoneavam, vai continuar mesquinha e sombria ou se se transforma em algo mais semelhante com a declaração de princípios que supostamente defendem (ou deviam defender).

Espero mas não sentada, que a inércia conduz ao pântano...

Relembro o Paulo e o Professor...

julho 08, 2004

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos.

Sophia de Mello Breyner Andresen

P.S. - Vem isto a propósito de tudo... Obrigada Sophia.

julho 07, 2004

Manual de Psicanálise

Convocar eleições antecipadas é decisão "contranatura", Guilherme Silva.
Dissolução da actual maioria faz com que escolha de Durão seja "sabotada na retaguarda", Paulo Portas.

Vindo de quem vem, serão lapsos freudianos?

Manifestos por Santana (II)

A família Popular, unida em Belém, em apelo pungente aos raptores de um primo desaparecido.
Pátria percorrida pela aflição.

Manifestos por Santana (I)

O Túnel do Marquês não está parado, é obra feita. Na realidade, é uma alegoria visionária, projectada por Frank Gehry e inspirada no hiper-realismo catalão La Fura dels Baus, onde os visitantes poderão assistir ao mais moderno Teatro de Revista, ao mesmo tempo que enfrentam um desafio sensorial, num cenário que procura recriar, com impressionante realismo, um projecto governativo.
Inscrições limitadas.

julho 05, 2004

Brando


Marlon Brando
03/04/1924 - 01/07/2004

Brando sempre foi umbilical com Há lodo no cais - On the waterfront, 1954. Obra controversa de Elia Kazan, sua alegoria e manifesto de exorcismo delatório, passando ao lado da leitura realista que podia ter alcançado.
Mas o que assombra é a dimensão enigmática de Brando, rebeldia sem a angústia cristalizada de Dean.
Maior que o filme. Do tamanho do cinema.

O meu ego está insuflado a hélio!

Isto não vai nada mal.
Empenhámo-nos, de novo. Encontrámo-nos, de novo. Sofremos, juntos. De novo.
Perdemos.
Perdemos unidos e com classe. E isto é novo.
Nestas horas é que se vê. E do que vejo, do que leio nos rodapés dos canais de tv, esse verdadeiro telex de ligação às comunidades, de um Presidente humilde no agradecimento, resulta uma verdadeira novidade. Mesmo para quem ainda está a curtir o cabedal depressivo: não estamos contentes. Não chega. Queremos mais. Merecemos um Portugal melhor.
Sabe bem esta sensação de nos acharmos capazes do melhor entre os melhores. De não estarmos concentrados em distribuir a madrasta entre nós próprios. De nos parecer que não nos temos de contentar com o que está. De nos causar uma cãibra mental colectiva o habitual encolher de ombros.
Por isso, parabéns à primeira página do jornal "Público". Ao contrário da maioria das restantes, está lá a dignidade toda de uma mesma imagem, mas aqui vista de frente. Obrigado.

Porque hoje nunca há a próxima

Já por tantas vezes o vi morrer, para se reinventar, nunca melhor mas sempre diferente, mas ontem?...
Ontem não podia ter sido.

Post Scriptum: O sorriso intuitivo pela elegância de Rui Costa. Seu privilégio, perda irreparável, a nossa.

julho 02, 2004

Legitimidade

Fontes bem informadas garantem que o Conselho Nacional do PSD terá também decidido ontem que PSL acumulará, a partir de meados deste mês, as funções de Presidente dos sociais-democratas e Primeiro-Ministro, com a Presidência da República, substituindo Sampaio, que ainda não comentou este desenvolvimento, e com o cargo de novo treinador do Benfica e da Selecção Nacional.
De acordo com um colaborador próximo de Pedro, o Grande, como PSL passará a ser chamado numa refrescante interpretação dos estatutos do partido, assegura-se que, em qualquer dos casos, "mudará o líder mantendo-se a mesma política".

Direito Canónico

"Ausência de sexo no casamento reduz pena".
Servindo como atenuante a crime de homicídio, segundo acordão do STJ, "permitirá a afirmação de que nem só do lado do arguido terá havido violação dos deveres conjugais, e pode até ajudar a explicar as dúvidas surgidas naquele espírito pouco iluminado sobre a (in)fidelidade".
In "Diário de Notícias".

A Verdadeira Final

A gravata da sorte, que José Manuel Durão Barroso acredita ter real influência nas vitórias de Portugal e a incompreensível música de Nelly Furtado são, com pleno mérito, os grandes finalistas do torneio.
O mais favorito dos semi-finalistas derrotados, o boneco de espuma Cristiano Ronaldo, desqualificado por se apresentar sob o nome falso de Kinas, encontrava-se destroçado e não prestou declarações à comunicação social. O seu agente e amigo próximo, o boneco Gil, desabafou:
- Não é assim que este país vai lá...
A maioria dos especialistas não arrisca vaticínios para a grande final e não exclui que se possa chegar à decisão por grandes penalidades.

julho 01, 2004

Já agora, o quê?...

O que este país tem de melhor (exceptuando as pessoas e outros populismos subliminares do género) é o futebol. E o futebol é aquela actividade que seguimos todos os Domingos, com ameaços nublados de corrupção, encabeçadas por imagens de integridade oriundas do sector da construção civil e afins...
Não digo que aquilo que se passou ontem é que é o meu futebol, porque continuarei a seguir o outro.
Mas tudo isto me deixa sinceramente descrente.
Há uma rúbrica na programação das estações de Rádio do grupo da Renascença que interrompe o prime-time das ondas hertzianas para nos fazer passar a mensagem de uma doutrina social qualquer e que se chama "Já agora, valia a pena pensar nisto...".
Andamos fartos de pensar, parece-me. Não andamos é para a frente...

Sabedoria Popular

A minha mãe tem idade para ser minha avó. Tem a 4ª classe, não liga nenhuma à política (embora goste de politiquices) e o futebol passa-lhe ao lado. Ah! E domina provérbios. Cresci com um para cada situação. O meu preferido é: ‘O rabo da cabra é sempre o pior de esfolar’. Repetia-o incessantemente quando eu andava em exames finais na faculdade.
Surpreendi-me, portanto, quando lhe telefonei na quinta-feira, 24 de Junho, dia do jogo Portugal-Inglaterra, e ela me disse que estava à janela a gritar por Portugal. Pasme-se! That’s my mum!
Mas a verdadeira surpresa foi hoje, quando almocei com ela, e a meio da refeição me diz: ‘Filha, eu não quero o Santana Lopes como nada neste país. Eu já não posso com o Portas [e atenção que em tempos ela chegou a votar nele], já não posso com esta gente... Eu quero ir votar outra vez. Não acho bem que nos estejam a impingir como se nós fôssemos saco de pancada e não tivéssemos nada a dizer. Tu vê lá se fazes o teu papel porque eu tenho feito o meu...’
Continuei a mastigar o peixe cozido, que em pequena detestava e que agora lhe peço para fazer. E respondi-lhe: ‘Eu também não gosto nada disto...’
A conversa ficou-se por ali. Passámos a outros temas mais caseiros e familiares.
Pela minha mãe, eu quebrei a minha resistência em aqui escrever sobre o assunto ‘Santana/ Durão-na-Presidência-da-Comissão/ Eleições antecipadas/ Sampaio-ouve-tudo-e-todos/ Sampaio-com-ar-de-coitadinho-diz-que-esta-é-a-situação-mais-difícil-enquanto-PR/ and so on...
Mas faço (muita) questão de cumprir o que ela me pediu...

P.S. – Com este Euro 2004 e com esta Selecção, já vou no terceiro sapo que engulo: primeiro foi o Rui Costa (e esse custou-me tanto...), depois o Ricardo e agora, o Scolari. Obrigada aos três pela rouquidão com que fico sempre a seguir aos jogos.