junho 29, 2004
para quem nos ensina a progredir na blogosfera - Musalia - e a quem não desiste de nos ler mesmo que anonimamente, por lapso - CFA.
Assim, está bem...!
Vem isto a propósito de um som que há muito tempo não ouvia:
"Eu sou metal,
Ai o relâmpago e o trovão!
Eu sou metal,
Eu sou o ouro em seu Brasão.
Eu sou metal,
Quem sabe o sopro do Dragão..."
Legião Urbana
"Eu sou metal,
Ai o relâmpago e o trovão!
Eu sou metal,
Eu sou o ouro em seu Brasão.
Eu sou metal,
Quem sabe o sopro do Dragão..."
Legião Urbana
Sem dedicatória. Claro.
"where've you been, love?
how've you been, love?
it's a long time since i've seen love
you make me happy, love
hope that you're happy, love
i was a scrappy love"
(...)
"we grew a strong love
but not for our own love"
Scrappy Love, Tricky.
how've you been, love?
it's a long time since i've seen love
you make me happy, love
hope that you're happy, love
i was a scrappy love"
(...)
"we grew a strong love
but not for our own love"
Scrappy Love, Tricky.
junho 28, 2004
Quando o Sol entra na casa de Júpiter
Estava para aqui a pensar num anónimo por comodidade (CFA) que me vai comentando uns quantos posts,em especial um em que faço uma citação de Pedro Paixão que este pouco atento leitor do blog da loira troca com algum paternalismo à mistura. Pensava nisto e se valia a pena citar editora, número de página e de linha, nome do livro...
Cheguei à conclusão que não. Nem farei nenhum link (até porque ainda não sei fazer, confesso) para aquele inolvidavel congresso do PSD em que Barroso disse: "Você (o Lopes) é uma mistura entre o Zandinga e o Gabriel Alves".
O Zandinga já não está entre nós, paz à sua alma. Mas aposto que nem ele, numa qualquer linha de tarot que resolvesse promover, sonharia com este volte-face de novela guatemalteca. Nuno Gomes pode não servir para Presidente da Comissão Europeia. Mas Gabriel Alves também não merece ser Primeiro-Ministro deste país, caramba!
Cheguei à conclusão que não. Nem farei nenhum link (até porque ainda não sei fazer, confesso) para aquele inolvidavel congresso do PSD em que Barroso disse: "Você (o Lopes) é uma mistura entre o Zandinga e o Gabriel Alves".
O Zandinga já não está entre nós, paz à sua alma. Mas aposto que nem ele, numa qualquer linha de tarot que resolvesse promover, sonharia com este volte-face de novela guatemalteca. Nuno Gomes pode não servir para Presidente da Comissão Europeia. Mas Gabriel Alves também não merece ser Primeiro-Ministro deste país, caramba!
La faena
O Prof. Rebelo de Sousa, no seu melhor refinamento mortífero, no espelho d'água da TVI, desferiu estocada finíssima, que arrepia antes da dor, na credibilidade de Santana Lopes como governante no mais alto interesse do país, leitura consequente, na presidência desta república.
Com direito a uma volta completa à arena, para regressar ao lugar de partida. O seu.
Com direito a uma volta completa à arena, para regressar ao lugar de partida. O seu.
Sabor a sal
Irrelevância de verão, Is It 'Cos I'm Cool?, Mousse T.
Dano colateral,
"Come as you are, as you were,
As I want you to be
As a friend, as a friend, as an old enemy.
Take your time, hurry up
The choice is yours, don't be late.
Take a rest, as a friend, as an old memoria"
(...)
"And I swear that I don't have a gun
No I don't have a gun"
Come as you are, Nirvana.
Não há ruptura nem compromisso que resgate a amargura que emana deste sorriso, anacrónico, quem sabe do sal que nos é roubado pelo mar.
Dano colateral,
"Come as you are, as you were,
As I want you to be
As a friend, as a friend, as an old enemy.
Take your time, hurry up
The choice is yours, don't be late.
Take a rest, as a friend, as an old memoria"
(...)
"And I swear that I don't have a gun
No I don't have a gun"
Come as you are, Nirvana.
Não há ruptura nem compromisso que resgate a amargura que emana deste sorriso, anacrónico, quem sabe do sal que nos é roubado pelo mar.
junho 27, 2004
God save us all. Before the Queen.
"He was a sweet and tender hooligan, hooligan
And he swore that he'll never, never do it again
And of course he won't (oh, not until the next time)".
Com a devida vénia ao cirúrgico PAS no País Relativo, citação do grande Morrissey, rescaldo do Portugal-Inglaterra, melhor definição que conheço do possível futuro PM da nação.
And he swore that he'll never, never do it again
And of course he won't (oh, not until the next time)".
Com a devida vénia ao cirúrgico PAS no País Relativo, citação do grande Morrissey, rescaldo do Portugal-Inglaterra, melhor definição que conheço do possível futuro PM da nação.
junho 26, 2004
Castelos de areia ou (im)pertinências de verão
O que sentiria se fosse a terceira ou quarta escolha para um cargo que ultrapassasse a sua importância, pela razão de ser considerado pouco incómodo?
O que sentiria se chegasse à chefia do governo de um país, quando nunca se lhe conheceu uma ideia ou projecto político que não fosse criar agitações com o reflexo da sua imagem, como herança de família?
O que sentiria se acordasse com um primeiro ministro mistério, uma equipa misteriosa e um programa mais misterioso ainda, para o qual ninguém depositou o seu voto?
E o que sentiria se fosse português?
O que sentiria se chegasse à chefia do governo de um país, quando nunca se lhe conheceu uma ideia ou projecto político que não fosse criar agitações com o reflexo da sua imagem, como herança de família?
O que sentiria se acordasse com um primeiro ministro mistério, uma equipa misteriosa e um programa mais misterioso ainda, para o qual ninguém depositou o seu voto?
E o que sentiria se fosse português?
junho 25, 2004
O Estalajadeiro de Terceira
Disse aqui há dias que subscrevia inteiramente uma candidatura de Nuno Gomes à Presidência da Comissão Europeia. Parece que perdi. E se alguma coisa ventila agora, sou eu que estou de respiração assistida com a mera hipótese de o Sr. Barroso poder vir a ocupar este cargo.
Suo de terror perante o cenário: Europa a afastar-se da média europeia, é uma geometria difícil, mas que este alquimista torna possível. Vamos vender os edifícios de Estrasburgo para maquilhar buracos orçamentais da União?
E internamente... Santana Lopes? Marcelo? portas???
Tem sido assim a minha vida: uma sucessão alternada entre baldes de água fria e saunas terapêuticas. Não podia sossegar enquanto gozava a vitória épica de ontem, e tinham que me atirar com esta...
Vá lá que o avisado Chirac já nos explicou como é que se torna plausível semelhante hipótese: é que o Sr. Barroso só estava nos Açores a fazer Catering (não estou a inventar - vem mesmo no FT de hoje).
A conclusão só pode ser uma, sobretudo se comparada com a atitude de Jüncker: o Sr. Barroso foge. Ao contrário do hóspede que desaparece sem pagar, é o dono da estalagem que não quer assumir a conta que vai cobrando.
Suo de terror perante o cenário: Europa a afastar-se da média europeia, é uma geometria difícil, mas que este alquimista torna possível. Vamos vender os edifícios de Estrasburgo para maquilhar buracos orçamentais da União?
E internamente... Santana Lopes? Marcelo? portas???
Tem sido assim a minha vida: uma sucessão alternada entre baldes de água fria e saunas terapêuticas. Não podia sossegar enquanto gozava a vitória épica de ontem, e tinham que me atirar com esta...
Vá lá que o avisado Chirac já nos explicou como é que se torna plausível semelhante hipótese: é que o Sr. Barroso só estava nos Açores a fazer Catering (não estou a inventar - vem mesmo no FT de hoje).
A conclusão só pode ser uma, sobretudo se comparada com a atitude de Jüncker: o Sr. Barroso foge. Ao contrário do hóspede que desaparece sem pagar, é o dono da estalagem que não quer assumir a conta que vai cobrando.
Infância
Imaginando os milhares que assistiriam ao momento dessa tarde, preparou-se para defender o remate com luvas imaginárias, porque é de mãos nuas que um miúdo agarra os sonhos no recreio da escola ou no descampado onde as mochilas marcam os limites da baliza.
Depois de suster o remate e porque uma tarde épica de meninice nunca se esgota, intemporal e eterna, afasta os companheiros com a autoridade de quem é o dono da bola, pelo menos nesse instante, para ser ele a marcar o próximo, sublime momento de herói de 10 anos.
Já teve milhões de nomes, um por cada criança que soube o que é ser feliz. Ontem chamou-se Ricardo.
Post Scriptum: As lágrimas de Eusébio, redentoras e indissociáveis das de há 38 anos frente à mesma Inglaterra, dizem tudo sobre o amor a esse estranho jogo de crianças chamado futebol.
Depois de suster o remate e porque uma tarde épica de meninice nunca se esgota, intemporal e eterna, afasta os companheiros com a autoridade de quem é o dono da bola, pelo menos nesse instante, para ser ele a marcar o próximo, sublime momento de herói de 10 anos.
Já teve milhões de nomes, um por cada criança que soube o que é ser feliz. Ontem chamou-se Ricardo.
Post Scriptum: As lágrimas de Eusébio, redentoras e indissociáveis das de há 38 anos frente à mesma Inglaterra, dizem tudo sobre o amor a esse estranho jogo de crianças chamado futebol.
junho 24, 2004
Cimento armado
É indiscutível. As telenovelas portuguesas são humor pós-moderno. Sendo certo que argumentam um universo queque, com linguagem queque, interpretado por actores queques, semi-queques e quem-me-dera-ser-queque, há limites que desafiam os sonhos da realização humana.
Pedro Lima, o Steven Seagal da expressividade lusitana, com o perfil artístico de quem pede Cutty Sark's na baía de Cascais, a fazer de homem das obras?! Homem das obras?! E de corpo branquinho de tanto trabalhar ao sol?!
Imaginemos o único Lima, frente a um kit-cimento, à sombra, naturalmente, olhando compenetrado uma folha de instruções, dizendo repetidamente:
- Eu consigo fazer isto, eu consigo fazer isto.
Post Scriptum: o autor reconhece que o calor e o ócio podem distorcer seriamente a noção da realidade...
Pedro Lima, o Steven Seagal da expressividade lusitana, com o perfil artístico de quem pede Cutty Sark's na baía de Cascais, a fazer de homem das obras?! Homem das obras?! E de corpo branquinho de tanto trabalhar ao sol?!
Imaginemos o único Lima, frente a um kit-cimento, à sombra, naturalmente, olhando compenetrado uma folha de instruções, dizendo repetidamente:
- Eu consigo fazer isto, eu consigo fazer isto.
Post Scriptum: o autor reconhece que o calor e o ócio podem distorcer seriamente a noção da realidade...
junho 23, 2004
A Bailarina Espanhola
‘Saudade não significa que estamos longe mas que um dia estivemos perto’.
Quase a completar três anos sobre uma viagem que fiz a Madrid, impossível não recordar a hora de puro êxtase que vivi no Reina Sofía, falando com e contemplando as obras de Miró. Os 10 minutos que Nuno Severiano Teixeira propõe na sua página de hoje do «Diário de Notícias» não são suficientes. Mas constituem, sem dúvidas, uma bela forma de deleite. Obrigada pelas memórias coloridas - e naives - neste dia cinzento...
Quase a completar três anos sobre uma viagem que fiz a Madrid, impossível não recordar a hora de puro êxtase que vivi no Reina Sofía, falando com e contemplando as obras de Miró. Os 10 minutos que Nuno Severiano Teixeira propõe na sua página de hoje do «Diário de Notícias» não são suficientes. Mas constituem, sem dúvidas, uma bela forma de deleite. Obrigada pelas memórias coloridas - e naives - neste dia cinzento...
Titta quê???
Folheando a Revista 'Tempo', paro na página 23, num texto (para ser eufemística) intitulado Foi uma Vitória de "Pirro", Rodrigues! . Leio-o até ao fim, inclusive o Post Scriptum. E vou de seguida à casa-de-banho... Volto ao meu lugar, sempre com a revista aberta no texto em questão. E penso: 'este personagem não é real...'. Faço uma pesquisa pela net. E encontro este sítio (nem lhe posso chamar congénere porque envergonharia os meus companheiros de escrita da 'Loira', inclusive os nossos ilustres comentadores): sadinos.weblog.com.pt/arquivo/121591.html. E fico mais tranquila. Afinal, o nível revela-se...
Já agora: A Revista 'Tempo' deu alguma cobertura à noite eleitoral? Se deu, foi só na sede do Campo Pequeno? O 'Euronotícias' não era aquele jornal com umas capas sempre muito cor-de-laranja?
E ainda, caro Titta Mau: a pergunta não foi a pedido nem tão pouco foi a primeira.
Já agora: A Revista 'Tempo' deu alguma cobertura à noite eleitoral? Se deu, foi só na sede do Campo Pequeno? O 'Euronotícias' não era aquele jornal com umas capas sempre muito cor-de-laranja?
E ainda, caro Titta Mau: a pergunta não foi a pedido nem tão pouco foi a primeira.
junho 22, 2004
Martini Bianco com 7 Up. E gelo.
Nas horas da madrugada que antecedem mais um reencontro, sazonal, irregular, com a indefinida fronteira entre memórias e projecções, as necessárias, porque emprestadas, uma questão fundamentada.
Que música me irá assombrar desta vez?
Por boas e más razões.
Que música me irá assombrar desta vez?
Por boas e más razões.
junho 21, 2004
Ventiladores pop
O futuro Presidente da Comissão Europeia deve contribuir para o melhor desempenho possível do projecto Europeu(tm), tem que ser oriundo de um Estado que esteja no centro de decisão do que se passa a nível Europeu(tm), deve ser uma cara reconhecida pelos cidadãos do velho Continente para lhes dar uma unidade identitária, tem que estar sempre à frente para que possa "drive Europe to meet its goals", e deve representar o porvir e a esperança de qualquer Europeu(tm) na nossa causa comum.
Não há mais que buscar por uma pessoa que cumpra este perfil. É ele, esse mesmo: Nuno Gomes a Presidente da Comissão Europeia!
Provoca risos? Não tantos como a ideia ardilosamente bem montada pelo Gabinete de Sua Exa. o Primeiro Ministro(tm) de que o nome de Durão Barroso estaria a ser ventilado nos corredores de Bruxelas para Presidente da Comissão. Estava, estava. Estava a ser ventilado da sala para fora... a ver se o ar se tornava mais respiravel depois da gargalhada gerada pela hipótese de um PM que desgoverna o próprio país poder governar a nossa Europa(sem tm).
Acredito mais nas hipóteses de Nuno Gomes. Zapatero também...
Legenda - (tm): trade mark
Não há mais que buscar por uma pessoa que cumpra este perfil. É ele, esse mesmo: Nuno Gomes a Presidente da Comissão Europeia!
Provoca risos? Não tantos como a ideia ardilosamente bem montada pelo Gabinete de Sua Exa. o Primeiro Ministro(tm) de que o nome de Durão Barroso estaria a ser ventilado nos corredores de Bruxelas para Presidente da Comissão. Estava, estava. Estava a ser ventilado da sala para fora... a ver se o ar se tornava mais respiravel depois da gargalhada gerada pela hipótese de um PM que desgoverna o próprio país poder governar a nossa Europa(sem tm).
Acredito mais nas hipóteses de Nuno Gomes. Zapatero também...
Legenda - (tm): trade mark
junho 18, 2004
Delírio tropical
Bloqueado mental. Estou bloqueado com este post do D.T.
Porque há coisas na vida que uma cam-corder da Philips não é capaz de reproduzir com a fidelidade de quem escreve como faz o nosso Dylan ou como a, cada vez mais nossa, Musalia. Cabe-me a superficialidade, até para quem nos lê poder recuperar fôlego, reequilibrar-se e absorver.
Lembro-me de uma estória, que ao blogue da loira já é mais ou menos familiar, mas não totalmente enquadrada.
Certa vez, noutros trópicos, estava em patrulha(!?) com uma secção de militares portugueses por montanhas quentes e, durante uma pausa, decidi partilhar com eles algumas linhas de um dos meus escritores menos preferidos. Reza o Pedro Paixão: "... se bem que nada saiba sobre mim, sei tudo o que há a saber sobre as mulheres. Resume-se a isto: em todas, sem excepção alguma, encontram-se duas constantes: uma expectativa, que não revelam, e uma decepção, de que não se queixam. E não digo mais nada. Não é preciso."
Li-lhes isto e ouvi-lhes o silêncio que só foi interrompido quando o Sargento (sempre o mais velho, avisado, camarada e experiente de qualquer formação de infantaria) me ensinou o brinde que reproduzo na quase totalidade: Enquanto há lingua e dedo, não há miuda que meta medo!
Enfim... monções...
Porque há coisas na vida que uma cam-corder da Philips não é capaz de reproduzir com a fidelidade de quem escreve como faz o nosso Dylan ou como a, cada vez mais nossa, Musalia. Cabe-me a superficialidade, até para quem nos lê poder recuperar fôlego, reequilibrar-se e absorver.
Lembro-me de uma estória, que ao blogue da loira já é mais ou menos familiar, mas não totalmente enquadrada.
Certa vez, noutros trópicos, estava em patrulha(!?) com uma secção de militares portugueses por montanhas quentes e, durante uma pausa, decidi partilhar com eles algumas linhas de um dos meus escritores menos preferidos. Reza o Pedro Paixão: "... se bem que nada saiba sobre mim, sei tudo o que há a saber sobre as mulheres. Resume-se a isto: em todas, sem excepção alguma, encontram-se duas constantes: uma expectativa, que não revelam, e uma decepção, de que não se queixam. E não digo mais nada. Não é preciso."
Li-lhes isto e ouvi-lhes o silêncio que só foi interrompido quando o Sargento (sempre o mais velho, avisado, camarada e experiente de qualquer formação de infantaria) me ensinou o brinde que reproduzo na quase totalidade: Enquanto há lingua e dedo, não há miuda que meta medo!
Enfim... monções...
junho 16, 2004
Pessoal e (in)transmissível
O ÚLTIMO VOTO
Nesse dia corri, corri contra o vento até exaurir o fôlego, na impotência de te ajudar. Quase como que a penalizar-me pela vitalidade que, aos poucos, se ia separando de ti.
Por isso sempre me toma um sentimento de pânico em dia de eleições. Por essa imagem, a última do teu último voto, olhos ensombrados não pelo desânimo que esse nunca demonstravas, mas pela recusa de uma vida menos digna pela doença te negar autonomia. Tu que, orgulhosamente, lideraras o teu percurso, sem ajudas, numa determinação de construires sozinho os muros que nos protegiam. E o teu olhar encontrou o meu, e eu senti-me perdida em fúria, impotência e culpa pela minha vitalidade não te emprestar a força que te faltava. Mas o que mais me atingiu foi a sombra de desgosto por expores aos outros a tua fraqueza. Engoli as lágrimas, e consegui não esboçar o gesto de ajuda que começara a delinear e que sabia tu irias recusar num movimento áspero. Não por falta de amor, sempre nos amaste a todos profundamente, pretendendo embora distanciares-te dessa proximidade que te assustava como que a protegeres-te dos afectos, mas porque para ti o estabelecido e natural era o teu cuidado velar por nós. E lá te arrastaste, tremulamente cruzando o pequeno quadrado em que nunca vacilavas. E hoje, quando cruzei o mesmo espaço, adicionei o teu gesto, como sempre faço, perpetuando a tua vontade no mesmo pensamento que nos unia e que me ajudaste a construir ao longo da vida.
Mas nesse dia, corri, corri contra o vento...
Estas palavras - e como só nós as percebemos - traduzem tão bem a dimensão humana, vertebral, cívica e ética que nos foi legada por essa pessoa extraordinária que homenageias.
Obrigado por esta recordação, como só tu o podias ter escrito...
Nesse dia corri, corri contra o vento até exaurir o fôlego, na impotência de te ajudar. Quase como que a penalizar-me pela vitalidade que, aos poucos, se ia separando de ti.
Por isso sempre me toma um sentimento de pânico em dia de eleições. Por essa imagem, a última do teu último voto, olhos ensombrados não pelo desânimo que esse nunca demonstravas, mas pela recusa de uma vida menos digna pela doença te negar autonomia. Tu que, orgulhosamente, lideraras o teu percurso, sem ajudas, numa determinação de construires sozinho os muros que nos protegiam. E o teu olhar encontrou o meu, e eu senti-me perdida em fúria, impotência e culpa pela minha vitalidade não te emprestar a força que te faltava. Mas o que mais me atingiu foi a sombra de desgosto por expores aos outros a tua fraqueza. Engoli as lágrimas, e consegui não esboçar o gesto de ajuda que começara a delinear e que sabia tu irias recusar num movimento áspero. Não por falta de amor, sempre nos amaste a todos profundamente, pretendendo embora distanciares-te dessa proximidade que te assustava como que a protegeres-te dos afectos, mas porque para ti o estabelecido e natural era o teu cuidado velar por nós. E lá te arrastaste, tremulamente cruzando o pequeno quadrado em que nunca vacilavas. E hoje, quando cruzei o mesmo espaço, adicionei o teu gesto, como sempre faço, perpetuando a tua vontade no mesmo pensamento que nos unia e que me ajudaste a construir ao longo da vida.
Mas nesse dia, corri, corri contra o vento...
Estas palavras - e como só nós as percebemos - traduzem tão bem a dimensão humana, vertebral, cívica e ética que nos foi legada por essa pessoa extraordinária que homenageias.
Obrigado por esta recordação, como só tu o podias ter escrito...
junho 15, 2004
Hermenêutica de alma
As alegrias e tristezas mais marcantes vivi-as sempre numa turbulência tranquila. Por ter presente que existe uma natureza indissociável entre ambas, completando-se, dando-se consistência. Como em tudo, sempre me guiei por afectos, intocáveis, de geometrias demasiado pessoais. Mais importantes que a sua adequabilidade, pragmatismo e futuro, análises que ficam para outros dimensionadores, conjecturas ausentes de alma, que cada qual se encontre com a sua.
No domingo venceu um desses afectos. De justiça brutal. Tranquila.
No domingo venceu um desses afectos. De justiça brutal. Tranquila.
junho 14, 2004
Vai ver se eu estou ali naquela esquina!
Este senhor que agora diz que a maioria dos Portugueses decidiu não se pronunciar sobre as eleições europeias e por isso não há ilações políticas a tirar (Paulo Portas), não é o mesmo, juntamente com os rapazinhos que o servem, que insistiu na inequívoca e soberana validade do referendo sobre o aborto onde a abstenção foi ainda maior?? É suposto eu fazer-me de morto ou de parvo? O que é que lhe serve melhor?
junho 11, 2004
Deixem-nos bandeirar!
Final do Jornal da Noite da SIC, dia 11 de Junho:
Rodrigo Guedes de Carvalho: 'A propósito desta onda de bandeiras que cresce a cada dia, há um número de críticos e analistas que têm surgido. Um eminente sociólogo dizia hoje mesmo à Agência Lusa que estas bandeiras são um nacionalismo «barato» e «imediatista». E dizia também uma coisa óbvia, como se ninguém soubesse, que há coisas «muito mais importantes que o futebol»... Claro que há! Mas deixem lá os portugueses sentirem-se, por um momento, felizes, por um momento, eufóricos, por um pequeno momento, unidos. Não vem daí mal ao país ou ao Mundo...'
P.S. - Não podia estar mais de acordo!
Rodrigo Guedes de Carvalho: 'A propósito desta onda de bandeiras que cresce a cada dia, há um número de críticos e analistas que têm surgido. Um eminente sociólogo dizia hoje mesmo à Agência Lusa que estas bandeiras são um nacionalismo «barato» e «imediatista». E dizia também uma coisa óbvia, como se ninguém soubesse, que há coisas «muito mais importantes que o futebol»... Claro que há! Mas deixem lá os portugueses sentirem-se, por um momento, felizes, por um momento, eufóricos, por um pequeno momento, unidos. Não vem daí mal ao país ou ao Mundo...'
P.S. - Não podia estar mais de acordo!
junho 09, 2004
Como estou curvado...
... não é, com certeza, do chão que vou apanhar as palavras suficientes para contar o que me inspira no Professor António Sousa Franco. Nem sequer para descrever o golpe seco que levámos todos no estômago, hoje.
(...)
(...)
De luto...
Demasiado chocada, demasiado triste para poder escrever como se impõe. Ou talvez não se imponha nada... O que é facto é que, perante uma morte tão absurda como esta, e perante as declarações que se seguiram - leia-se de Narciso Miranda e Manuel Seabra, que deviam ter vergonha na cara e senso mínimo para não o fazerem num momento como este - este país chegou ao cúmulo da insensatez, do cinismo, da hipocrisia, da mesquinhez, do baixo nível. Já se tinha visto, aliás, há uns dias atrás, como o Dylan T. caricaturiza com o 'Pinheiro Manso'. É ver agora as reacções dos 'senhores importantes'... Afinal, Sousa Franco era um grande homem, democrata, inteligente, pai da entrada de Portugal no Euro, brilhante professor, etc, etc...
Mas havia dúvidas?? Raios partam esta forma de estar na política e na vida...
Mas havia dúvidas?? Raios partam esta forma de estar na política e na vida...
Sem título
Compreenderão, algum dia, os Guardiães de Lota, a singularidade de quem rasos anfitriões foram?
Da consciência de indolência ética de outros, nada mais a dizer.
Da consciência de indolência ética de outros, nada mais a dizer.
De luto II
Já agora, obrigada Teresa pela mensagem, que passo a reproduzir:
'A morte ensina-nos a sermos mais dignos dos melhores que passaram por nós. É um bonito dever...'
Luís, também partiu hoje. Já não o vou ouvir tocar viola :-). Mas continuarei a levar a Ritinha às 4h00 da manhã a casa...:-).
'A morte ensina-nos a sermos mais dignos dos melhores que passaram por nós. É um bonito dever...'
Luís, também partiu hoje. Já não o vou ouvir tocar viola :-). Mas continuarei a levar a Ritinha às 4h00 da manhã a casa...:-).
junho 08, 2004
Amazona "halibut"
De como as mulheres são claramente mais poderosas do que os homens vem a conclusão, que todos nós enquanto "projectos de virilidade" sabemos reconhecer, que é essa a razão pela qual sempre que fica demostrada a nossa inferioridade, nós... gostamos.
Assim foi anteontem comigo. Com um "upper-cut" de esquerda seguido de uma sonora gargalhada, dois movimentos que me deixaram de lágrimas nos olhos. De satisfação pela dor física.
E só tem seis meses...
Assim foi anteontem comigo. Com um "upper-cut" de esquerda seguido de uma sonora gargalhada, dois movimentos que me deixaram de lágrimas nos olhos. De satisfação pela dor física.
E só tem seis meses...
junho 07, 2004
Verão Azul... (opus ensemble para daltónicos)
Hei-de receber-te com Julho, Bala.
És liga metálica mais perfurante do que a Prata e por isso muito mais definitiva em mim. Porque és de fragmentação. Vieste num estampido que me ensurdeceu... logo se viu pela cratera que me sobrou quando te foste.
Vem com Julho, que enquanto é Junho me vou ensozinhando num canto a lembrar.
E há-de chegar Agosto e de novo disparas. Mas o nosso adeus nunca é despedida. É sempre saudade.
És liga metálica mais perfurante do que a Prata e por isso muito mais definitiva em mim. Porque és de fragmentação. Vieste num estampido que me ensurdeceu... logo se viu pela cratera que me sobrou quando te foste.
Vem com Julho, que enquanto é Junho me vou ensozinhando num canto a lembrar.
E há-de chegar Agosto e de novo disparas. Mas o nosso adeus nunca é despedida. É sempre saudade.
"I've heard that you'll try anything twice"
1986. The Smiths. Não foi amor à primeira. Nunca acreditei nisso. Mas também por isso encerra a possibilidade, premonitória.
Não envelheceu, vai ajustando contas. Percorreu a redenção americana, fina ironia, cidade de todos os demónios, agarrando-lhe o nervo.
Permite estas coisas, a maturidade, saber manter as feridas abertas sem a necessidade de sangrar para continuarem a magoar. Sempre.
Welcome back, Morrissey. 2004.
Morrissey, you are the Quarry
Não envelheceu, vai ajustando contas. Percorreu a redenção americana, fina ironia, cidade de todos os demónios, agarrando-lhe o nervo.
Permite estas coisas, a maturidade, saber manter as feridas abertas sem a necessidade de sangrar para continuarem a magoar. Sempre.
Welcome back, Morrissey. 2004.
Morrissey, you are the Quarry
junho 03, 2004
Febre do desejo
Quercus e Procuradoria-Geral da República avaliam possibilidade de colaboração estreita.
"Vamos ter de nos agarrar às árvores, de violar crianças!", cliente descontente com a mega-operação "Urtiga" da GNR às casas de alterne do norte do país, in "Público".
"Vamos ter de nos agarrar às árvores, de violar crianças!", cliente descontente com a mega-operação "Urtiga" da GNR às casas de alterne do norte do país, in "Público".
Cuidados Paliativos
Entendeu a Alta Autoridade para a Comunicação Social elaborar parecer respeitando aos efeitos perniciosos que complexos programas televisivos - no caso em estudo o programa "Levanta-te e Ri", exibido na SIC - poderão fazer incidir sobre os Jovens Almeidas de todo o país. Deverá a emissão do referido programa passar a ser acompanhada do seguinte aviso:
Não tente fazer isto em casa.
Poderá causar mal a si próprio.
Não tente fazer isto em casa.
Poderá causar mal a si próprio.
junho 01, 2004
Três palavrinhas apenas...
"Tenho três palavras apenas para o Ministério Público: Souto Moura demissão!". Falcão de Campos, advogado de Francisco Alves em declarações na SIC Notícias, ontem, à saída do Tribunal de Instrução Criminal após saber que a Juíza Ana Teixeira e Silva tinha considerado que "Os autos não contêm um único elemento que permita deduzir a existência de um elemento subjectivo dos crimes de lenocínio atribuídos."
Digo eu, sem a mesma capacidade de síntese do causídico, e com muitas mais palavras: quero justiça já e completa; quero as redes de pedofília postas a nu (bem sei que a expressão não é a mais feliz - mas talvez mereçam...); quero que o Estado seja responsabilizado, bem como cada um dos seus agentes, por todas e cada uma das arbitrariedades que cometa. Já.
Digo eu, sem a mesma capacidade de síntese do causídico, e com muitas mais palavras: quero justiça já e completa; quero as redes de pedofília postas a nu (bem sei que a expressão não é a mais feliz - mas talvez mereçam...); quero que o Estado seja responsabilizado, bem como cada um dos seus agentes, por todas e cada uma das arbitrariedades que cometa. Já.

