novembro 30, 2004

Sampaio, caneco, ...

... nunca me enganaste!

Alcina Lameiras em versão Gomes Canotilho

Como também esta "crise política" foi já superiormente ultrapassada de acordo com os mais altos desígnios da Nação - o que significa, à hora a que escrevo, que as instituições deste país não regulam bem da pinha - proponho, de novo, a solução que se me afigura como mais conforme à normalidade constitucional:
O Presidente em exercício não pode demitir o Governo nos últimos seis meses de mandato, e o Presidente que se lhe seguir não pode dissolver o Parlamento nos primeiros seis meses de exercício;
Este Presidente já não tem mais margem de manobra para dissolver o Parlamento nas crises que se adivinham (e temos todos tanta certeza que elas se avizinham como de que em Abril se farta de chover), até porque em Junho, se lhe ocorresse essa tentação, seria acusado de ter estado a preparar o terreno para José Sócrates, no sentido de favorecer uma maioria absoluta do PS (e quanto a esta última é preciso ter a certeza de que também vai chover em Maio, o que não é líquido);
A única fórmula de poupar tempo a todos (até porque me parece que para o próprio Santana Lopes e seu partener de coligação a hipótese começa a não se lhes afigurar tão perversa) é a seguinte:
1- Sampaio abdica já, argumentando debilidade de foro psicológico, vontade de curtir os 100.000 contos do prémio, o calendário nacional do circuito de golfe amador para veteranos, whatever.
2- Marcelo é contratado pelo canal Odisseia.
3- Cavalgando uma onda de euforia o Professor arrebata as eleições para a Presidência, limpando inclusivamente Cavaco Silva e Manuel Maria Carrilho.
4- Sócrates intensifica a parte curricular do mestrado.
5- Daqui a seis meses tínhamos a garantia de eleições legislativas antecipadas.
6- Jaime Gama substitui Mota Amaral na Assembleia da República que reúne em Assembleia Constituinte no Oceanário.
7- Revisão Constitucional com a adesão de Portugal à Commonwealth garantindo entretanto a independência dos nossos centros de decisão económicos face a Espanha (incluindo a anexação de Gibraltar ao Off-Shore da Madeira).Tão certinho como Santana ser monogâmico!

novembro 29, 2004

Rascunhos perdidos

... neste PS, a hipótese de defender a dissolução do Parlamento, é tão nefasto quanto posicionar-se solidário e tenaz perante a barbárie conduzida contra um dos membros mais valiosos da sua direcção (nota mental - não dizer o nome Paulo Pedroso): não parece bem, implica a capacidade de construír uma solução imediata, para além de uma consciência absolutamente impoluta e a coragem de assumir de frente para quem vota, aquilo que se manifesta ao telefone (para benefício de um qualquer gravador) ou numa mesa de reuniões para 12.
(e por isso)
... que tudo isto não passa, certamente, de uma manobra dilatória para desviar as atenções do processo Casa Pia.
(e assim sendo)
... que tanto me faz que haja uma implosão no executivo, que eu por cá ando e, a mim, ninguém me condiciona.
(nota mental 2 - comprar flores e juntar este papel para a Mizé ver)
(nota mental 3 - perguntar-lhe o que é que é para fazer agora)
(ilegível) Fernando Branco de (irreproduzível)

Waiting for a miracle.



Dei, há pouco, 'autorização' ao Keizer, para continuar na sua saga anti-Sampaio, como se de um estudante deste país se tratasse, prestes a rebelar-se, de armas e manifestos na mão, pelas ruas do país (imagem só partilhada, estou certa, pelo irmão do arqui-inimigo, o psicólogo). Porque são tantas as trapalhadas e as asneiras que se têm somado que parece que vivemos num país de faz-de-conta, desde as listas de colocação dos professores até ao caso Marcelo (que eu considero dos mais graves neste contexto todo) e agora a saga ‘Henrique Chaves’.
Em Julho, também achava que Sampaio devia convocar eleições antecipadas, mais pela pessoa que daria a cara pelo Executivo do que pelos partidos que o compunham. Hoje, volto a achar que o Presidente (ainda trato o cargo dele como maiúscula pelo respeito que o cargo me merece) devia dissolver o Parlamento, não apenas pela figura de Santana Lopes mas sobretudo pelo respirar de alívio que – estou convencida – a maioria dos portugueses daria por ser chamada a escolher e a pensar livremente. Mais ou menos como o que se viveu quando Guterres ganhou as eleições em 1995.
Não estou convencida de que a esquerda ganharia, nem tão pouco de que essa seria a vontade maioritária. Estou, e tão somente, a falar do suspiro que se ouviria, por tão ensurdecedor, das pessoas serem tidas e achadas neste imbróglio em que se tornou o nosso Portugal tão pequenino. Como diz o
João Pedro Henriques, o tempo custa tanto a passar com o Santana...

O que ainda resta de sólido

Santana Lopes vai reunir com o núcleo duro do seu governo. Olhando o estado do seu governo, aguarda-se com curiosidade a conversa de Santana Lopes com a sua embalagem de gel.

novembro 28, 2004

Estás à espera de quê para demitir este circo?


Era esta a estabilidade que esperavas? Parabéns! Todos viram que era esta, menos TU!

novembro 25, 2004

A política de saúde

O ministério da saúde reitera que confia nos genéricos:



Deliciosos cigarros de chocolate

O maestro incompreendido

Sensibilidade artística de Miguel Graça Moura alvo de injusta perseguição.
Afinal, que outra Orquestra Metropolitana poderá orgulhosamente apresentar-se com vestidos de pantera e fina lingerie, sofisticados artigos criteriosamente adquiridos pelo maestro?


Quarteto de cordas

A clarificação que se exigia: um último contributo de Gomes da Silva



Com a devida vénia à clarividência dos autores.

novembro 24, 2004

Ai os paparazzi...

" Se aminha mãe fosse a Raínha de Inglaterra, eu era o Principe Carlos", in resposta do PGR sobre o que gostava que tivesse corrido melhor na fase de inquérito do "processo Casa Pia", no Jornal da Noite da SIC.
Estou a ver... e então nesse caso o Ministério Público será a tua Camilla Parker-Bowles e a Justiça acelera de Mercedes dentro do túnel do Marquês?...
E Pedro Strecht - Harry?, William??

Resguardo

Dizem as más línguas que a decisão do primeiro ministro em manter Rui Gomes da Silva em São Bento, como ministro adjunto, foi a solução mais simples desde a última vez que este entrou na residência oficial e não conseguiu dar com a porta de saída.

Anatomia do cerco

You've got twistability

You've got kissability

Sonic Youth.

O homem regisconta

Caetano cantava o avesso do avesso do avesso do avesso. O inefável Guilherme Silva consegue defender o contrário do contrário do contrário do contrário, com a mesma naturalidade do dever de quem veste o fato e a gravata e se despede da mulher e dos filhos, a caminho do escritório. É, à sua dimensão esforçada, um Ali Alatas português.

novembro 23, 2004

Plano de aquisição de inteligência: um caso que acabou mal

"Deputado esteve sem pagar prestações de empréstimo entre 1992 e 1998. Para resolver o problema, Gomes da Silva tentou, em vão, que a CGD a valorizasse em 25 mil contos. Três anos depois, negociou-a por 18.900 contos e queixou-se ao tribunal de que a Caixa recusou a sua proposta (sem razão para isso)." - Quase tudo explicado no Público.

Provador de leitores

Nova fórmula para ler jornais:

Peguem nas páginas impressas do Público de hoje, leiam apenas os títulos (que exceptuando as crónicas do Pedro Mexia é o que vocês fazem de qualquer das formas) e... juntem tudo.

Vejam o exemplo de hoje:

Será que o Candidato da oposição apela à resistência popular, ao ver que A Ucrânia, partida ao meio, entra em período de alto risco já que O peso das identidades na Constituição Europeia e “Europa Social”, estão a dar um Salto qualitativo, e, segundo ele, Pior é impossível?
É que O referendo europeu e as revisões constitucionais a torto e a direito, a partir do momento em que os Deputados do PSD pressionam para viabilizar diploma do PCP, uma vez que Sampaio critica “excesso” de Governo nos “media”, permitem situações como aquela em que o Tribunal de Cascais tentou notificar Rui Gomes da Silva durante quase três anos e apenas uma Magistrada anula dezenas de horas de escutas por falta de controlo judicial. E basta...

Cá para mim faz (mais) sentido... Não sei. Digo eu...

Só por uma vez

Com ele pendurado num andaime de quatro andares a rebocar paredes, e ela apressada na calçada:

Diz ela: oh coisa feia! mauzão!
Diz ele: ... (não diz nada - ruboriza)
Diz ela: se o meu pai tivesse pernas como as tuas, eu andava ao colo até aos trinta!
Ele (sentindo-se indefeso e olhado): bruta!
Diz ela (entre onomatopeias várias): gostas pouco, gostas...

O mundo ao contrário não faria mais sentido. Mas arejava...

novembro 22, 2004

Swearing on the bible

"(...)nos tempos em que vivemos, que são de muita espuma, de muita superficialidade(...)" - Santana Lopes, depois de transcrever um versículo da bíblia.
Não há como o texto sagrado para a contrição da verdade.

God speed



Heard my truth
Distorted to lies for you
Gosto de só ter ido uma vez mais
Went looking behind every door for you
Gosto da certeza que, de certeza, virá até mim
And because of the things
That I saw for you
Gosto de não se resolverem as tempestades
I spiritually grew
Gosto de não teres o nome que julgas ter
When I come up, when I rush
Gosto deste epitáfio
I rush for you

Rush, Songs of Faith and Devotion.

novembro 20, 2004

O menino Rodrigo e a Revolução: um conto infantil

Era uma vez um senhor muito mau e assustador que fez uma provocação apocalíptica sobre o estado da democracia portuguesa. E era uma vez um menino chamado Rodrigo que, angustiado, perguntou-se:
Militar restaurador da democracia #1: - Ó sôr alferes, este não é aquele jovenzito que aparece na Caras e escreve uns livritos? Ou será o contrário?
Militar restaurador da democracia #2: - Quem?!
Militar restaurador da democracia #1: - Olhe, deixe lá isso. Não tem importância. Próximo!
Moral da estória: Não desanime, menino Rodrigo, pode ser que ainda passem por si mais sete vezes. Como sabemos, à oitava é que é.

novembro 19, 2004

Vidal Sassoon 3 em 1

Assim não, senhores Deputados. Assim é gozar com as pessoas. Faz-se a pergunta constitucionalmente correcta e depois vende-se o ‘sim’ como um acto de fé fatalista no projecto europeu. Chegou a hora de acabar com os tiros no escuro e com a venda da Europa como sinónimo de dinheiro. Ou será que a pergunta para o referendo sobre o Tratado Constitucional da União Europeia esconde o desejo dos senhores Deputados em percorrer o país para explicar ao ‘homem da rua’ o que é uma passerelle, uma cooperação reforçada, uma dupla maioria, a PESC, a PESD, o PEC, a comitologia, a co-decisão, o método aberto de coordenação... Garanto-vos que ninguém quer saber de uma Carta dos Direitos Fundamentais que na realidade pouco ou nada acrescenta aos direitos dos cidadãos em termos concretos, de regras obtusas de cálculo de maiorias e muito menos das guerras intestinas dentro de um triângulo institucional ao qual se acrescentaram novas pontas. E se eu concordar com um e não souber ou não concordar com os outros dois? Tiro no escuro? Posto assim, a minha resposta é não; a da maioria não-qualificada deve ser não vou.

PC

novembro 18, 2004

Síntese do orçamento de estado

"Santana Lopes, no meio desta confusão em que várias pessoas foram atropeladas, nomeadamente eu (...)." - repórter da SIC notícias.
Acredita, não foste o único.

Big brother sem filtro

Começa a atingir o insuportável esta sanha anti-tabágica politicamente mais estúpida que correcta. Defender os direitos dos não-fumadores/fumadores passivos, de acordo. Proibição em espaços públicos, correcto. Restrições em restaurantes, dado. No local de trabalho, vá lá, ainda que possa incitar ao caricato de não se poder puxar de um cigarro onde, por hipótese, todos sejam fumadores. Agora, é extraordinário que a generosa cruzada sanitária pretenda ingerir nos espaços lúdicos privados, que são acima de tudo negócios de oferta e procura. Parece de lógica indisputada que deveriam ser os proprietários de bares e discotecas a definir que negócio querem gerir e a adesão a aferir do sucesso dessas opções, dando a cada pessoa a liberdade de frequentar os locais que entender. Claro e sem proibicionismos legais. De contrário, ainda nos arriscamos a levar com limites legais ao número de bebidas per capita ou ao alinhamento musical. Mas acima de tudo não institucionalizem o atestado de menoridade de nos quererem transformar nuns macários da vida. Ou de partilharmos a distinção de pulmão virgem do ano com um Jorge Gabriel. O que, aliás, só pode dar vontade de acender mais um cigarro.

novembro 17, 2004

Parajornalista

Não venho chamar-lhe nomes nem dar-lhe alcunhas. Venho, sinceramente, dar um grande abraço ao Luís Delgado. Isto que ele escreveu hoje no DN é, devo dizê-lo, comovente. Já me vai apetecendo dar-lhe o carinho que mais ninguém lhe dá. Aconchego. Sorrir-lhe, piscar o olho e dizer-lhe, enquanto aplaudo de pé: "Bravo Luís, és um valente!".
É assim como nos Jogos Paraolímpicos: ninguém vai estar a apupar nenhum atleta mesmo que não represente o seu país, ou vai? Então...

Kiss me

Estou com o astral muito em baixo. Não, na testa não, que tínhamos que tirar
o boné. Na boca também não que eu estou doente. Já se foram 12 Kg... Afinal
não mentiste sobre a retoma. O barco foi uma ideia gira - e cara, presumo.
Compensa as faltas ao solário. Já agora, como vais levantar o astral ao tipo
que falou hoje? Dar-lhe o SIRP?!
PC

O pior sexo do mundo

O guarda-costas de Liza Minelli queixa-se da patroa o ter obrigado a praticar sexo sob ameaça de despedimento. E quer uma indemnização superior a 100 milhões de euros. Deve ter sido mesmo.

Amarras

Consta que no conselho de ministros dedicado aos assuntos do mar o assunto mais discutido foi o socorro a náufragos.

novembro 16, 2004

Danonossauros Rex

A ver se nos entendemos:

Só pode haver uma de duas razões para estar, neste momento, a apreciar o prazo de validade da coligação PPD/PP: ou o que está em causa é o projecto político e um programa de Governo conjunto para os próximos cinco anos e meio, ou o que se passa é apenas a aferição do alcance da soma, ou da subtracção, que uma lista conjunta às próximas legislativas significa para cada um dos partidos individualmente considerados.

Se falamos da primeira, então não percebo. É que o “inequívoco” apoio parlamentar expresso pelos dois partidos no governo de PSL, e em cuja estabilidade o Presidente de turno suportou a decisão de não convocar eleições antecipadas, supostamente traduz uma comunhão de convicções, elas também inequívocas quanto aos destinos de Portugal e às soluções para alcançar esses desígnios. Reavaliar a comunhão dessas convicções significa que...

Se estou certo ao não perceber, então falamos da segunda e o que está então em causa é apenas saber se os dois partidos somados alcançam ou não uma maioria parlamentar, não interessa se em comunhão ou em total desatino. E então o que interessa não é um qualquer “astral” que o líder da coligação pretenda ambicionar para o país. O que interessa, sendo este o caso, é tão somente o poder.

Até agora novidade nenhuma e parece-me que estas duas hipóteses são indisputáveis, menos para aqueles que deliram que esta avaliação não está em curso. Quanto a isto nem argumento: remeto apenas para o Congresso do PPD e para as listas para as autárquicas.

A novidade é só uma (tal como a solução constitucional): Paulo Portas é o elemento central de qualquer cenário e esse papel foi-lhe conferido por Jorge Sampaio. Sem ele, PSL sabe que nem Sampaio perdoará. Com ele, o PPD perde substância e, já o perceberam as bases acomodadas, votos. E logo, o poder.

Esta questão é parecida com uma outra que sempre me assaltou: o prazo de validade dos iogurtes – como é que se sabe que aquele é o preciso dia em que o dito coalha?; haverá alguma hora desse dia para esse efeito? (será às 00.00h dessa madrugada?); e no caso de ser um daqueles que mistura chocapic com iogurte de pedaços: é só o iogurte que perde validade, são os cereais, ou ambos ao mesmo tempo?? Não interessa já saber se cereais de chocolate e iogurte fazem uma boa combinação de sabores. Interessa é que lá na tampa está escrito 9 de Junho de 2004. Ora, já alguém experimentou dar uma valente colherada num iogurte passado da data? Do you know that feeling???

Autismo

Preocupante, o que nos vai crescendo. O deles será congénito.
Chegado o dia em que a democracia seja encerrada numa casa de repouso, dir-nos-ão candidamente que não nos desassosseguemos. É uma questão interna.

Governar o tempo do amor

Parece que por estes dias tudo o que o governo toca demite-se.
Porque é sempre urgente, o amor, pede-se-lhes o toque, de coligados afectos.
O país ficaria grato.

novembro 15, 2004

País atentado

Um grupo radical islâmico terá planeado um atentado em Portugal, em Junho, era Durão Barroso ainda primeiro-ministro.
Meses depois, sabendo de Pedro Santana Lopes a intenção de governar o país até 2014, o grupo extremista emitiu um comunicado lacónico:
- Missão cumprida -

Escrito nas estrelas

"Quero um país que vá subindo no seu astral" - Pedro Santana Lopes, entertainer.
Portugal cumpre a grandeza do seu destino.
Depois das milhas marítimas, o Espaço.

novembro 13, 2004

A Loira errou.

... mais precisamente, Keizer Soze errou.
Recebemos um telefonema de de Deus provando que, e infelizmente para eles (ao que parece), um dos contributors d'O Acidental é mesmo Rato. Segundo de Deus: "vinha lá no template".
Em jeito de castigo, a Loira encarregou-me de proceder aos passos necessários para alargar este espaço a dois colunistas adicionais, e de os seleccionar utilizando o melhor critério d'O Acidental (que como todos sabemos é o abecedário): assim sendo, Adelino Amaro da Costa e Alcina Lameiras passarão a escrever em "A loira não gosta de mim".
Keizer Soze
PS: Desespero sabendo que Topo Gigio vem no fim da lista. Também quero o meu rato...

Uatz urongue uide dize pictchure???

Nós aqui da loira estávamos a pensar convidar para contributors do nosso blog a Madonna, o Papa, Bin Laden, Vítor Espadinha, Gaetano Donizetti, Chico Buarque (que anda a pedir-nos muito), Manuela Ferreira Leite (ausente em Barcelos), João Pinto (sim, o dos prognósticos no fim do jogo), entre outros.
Não só para alargar a abrangência intelectual deste espaço, mas porque nos inspirámos nos ghost contributors d'O Acidental, José Bourbon Ribeiro (quem???), João Marques de Almeida e Vasco Rato.
Pensa não pensa, pensa não pensa e pumba: somos violentamente surpreendidos com uma aparição de Rato (nervosa, porém ameaçadora).
Só que os apanhámos na curva: não é o Rato genuíno!: a ser ele, q'ué feito do sotaque (amalandrado, i.e., emigrês) de Boston ???????????

Para quem está barítono

Mario Cavaradossi:
E lucevan le stelle...
ed olezzava la terra...
stridea l'uscio dell'orto...
e un passo sfiorava la rena...
Entrava ella, fragrante,
mi cadea fra le braccia...
Oh! dolci baci, o languide carezze,
mentr'io fremente
le belle forme disciogliea dai veli!
Svanì per sempre il sogno mio d'amore...
L'ora è fuggita...
E muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita!...

Tosca - Giacomo Puccinni


Esta é, provavelmente, a ária perfeita.
Tem é que se deixar correr a ópera, mesmo esta, até ao último acto (no caso da ária acima, o terceiro).
Até porque o nosso Cavaradossi afinal não morre...
Nem nós merecíamos.
Como o épico faz de todos nós sopranos e tenores, desafiar esta ária significa ouvi-la sem que nos atrapalhe os sensores. Todos.
Se isso acontecer, então, provavelmente já não merecemos nada.
Mas esta ópera é democrática: ninguém ganha aquele desafio. Somos todos iguais.

novembro 11, 2004

Sem mais argumento...

... ou... já não vos aguento...(?)
Esta merda afinal não é a blogosfera?
Não, é a egosfera.

"Os Novos Heróis do Mar"


Gay: Excited with merriment;
manifesting sportiveness or delight;
inspiring delight; livery; merry.

Nuno Fernandes Thomaz teve uma visão. Num dos seus retiros espirituais em família teve uma visão. Encorajado pela aparição do Infante D. Henrique, D. João II e Vasco da Gama, correu a propôr o aumento da zona económica exclusiva de 200 para as 350 milhas, ficando Portugal com direitos sobre uma área marítima do tamanho da europa. Descobrimento sublinhado em linhas irrecusáveis para o estado português:
  • Fim do serviço militar obrigatório substituído pela instituição do serviço marítimo obrigatório.
  • Reconversão dos excedentários da administração pública e professores não colocados, com formação profissional piscatória.
  • A traineira como novo símbolo nacional, possibilidades de marketing.
  • Possibilidade futura de acenar aos familiares em Newark enquanto se está na faina.
  • Visão estratégia política e moral, impedindo futuras embarcações tipo "Bornediep" de conseguirem sair dos portos holandeses, uma vez que as nossas águas territoriais praticamente chegarão à Holanda.

Já sabia O'Neill, há mar e mar, e mar, e mar...





Shakira still alive




Faz hoje dois meses, ou três, ou três meses e uma semana, ou quatro, ou seis meses ou uns quantos mais... que me podiam encontrar no mesmo sítio, sempre acompanhada por amigos. Porque nunca gostei de ir para esses sítios sozinha, achava deprimente. Mas com amigos não! Nunca nenhuma das vezes foi deprimente ou depressiva, nunca nenhuma das vezes acabou mal, nunca nenhuma das vezes me divertia menos que a anterior...

Se tenho saudades? Tenho! De tudo! Dos locais, das caminhadas até aos locais, das refeições antes, dos copos, do riso, dos sorrisos, da forma quase sempre disparatada e desconexa como acabava mas, sobretudo, por saber que haveria uma próxima vez quando os outros e eu quiséssemos.

Se voltava atrás?? Não! Gosto demasiado de tudo quanto agora me envolve para o devolver ao futuro.

Amanhã voltarei ao passado. Com uma nuance: sei que ele lá estará sempre e que posso voltar quando quiser.

Eternally wild with the power
To make every moment come alive
All those stars that shine upon you
Will kiss you every night.

novembro 10, 2004

Apenas porque....

às vezes, vale a pena ver os telejornais:

  • Samuel, de 10 anos, é um menino moçambicano, que foi mutilado por traficantes de órgãos e que vem a Portugal para ser submetido a uma operação com vista à reposição dos seus órgãos genitais. A SIC fez um directo do aeroporto, para cobrir a chegada do Samuel e da família. Independentemente do que a move, registou o assunto e deu-lhe mais de quatro minutos de antena. O «Correio da Manhã» também. Mas há uma família portuguesa que se disponibilizou a albergar o menino mais os seus acompanhantes. Não sabemos quem é porque, no tal directo, não quis dar a cara. Independentemente do que a move, registe-se o acto.
  • Outro menino, o João, de não sei quantos anos, de Ermesinde, precisava de uns óculos que lhe protegessem os olhos quando praticava actividades desportivas. Dos modelos que viu não gostou de nenhuns (:s). A mãe tentou a sua sorte, escreveu a Edgar Davids (aquele jogador do Inter de Milão, que usa uns óculos todos fashion), contou-lhe o problema do filho e perguntou-lhe onde poderia adquirir uns utensílios iguais aos dele. Resultado: o próprio do Davids mandou uns ao João.

P.S. - Camaradas e amigos que partilham comigo a alimentação deste blog, já sei que sou lamechas. Mas vocês também já sabiam que daqui só podia vir isto.

Consternação

O ministro Rui Gomes da Silva protagonizou um estranho episódio durante um recente concerto dos Mão Morta no interior do país, testemunhado por um assessor governamental.
Quando Adolfo Luxúria Canibal sussurrava em palco:
- Quem matou?
ouviu-se uma voz descontrolada no meio da multidão, gritando a plenos pulmões:
- CABALA!
- CABALA!
Gomes da Silva, identificado pelo atónito assessor, que prefere manter o anonimato, disparou então a correr, visivelmente perturbado, até imobilizar-se, levar as mãos à cabeça e perder os sentidos.
Fonte contactada prefere não tecer grandes comentários, mas admite que o desaparecimento político de Gomes da Silva estava a causar estranheza no seio do governo e que a situação está a ser acompanhada com "preocupação e consternação".

Pan-comunicação

O governo acaba de anunciar a forma que considerou mais adequada para comunicar aos portugueses as suas futuras orientações políticas, evitando os mal entendidos comunicacionais observados recentemente. Depois de ter considerado a hipótese de uma carta ou de encartes, o primeiro ministro e a sua equipa resolveram-se pelo aproveitamento de um recente sucesso discográfico das melhores músicas portuguesas.
Assim, anuncia-se para os próximos dias o lançamento de um duplo cd com as medidas do governo explicadas em flauta de pan.
O primeiro cd apresentará uma versão instrumental, reservando o segundo disco uma versão em spoken word, com frases seleccionadas do líder do governo e do ministro das finanças.
O porta-voz do executivo acredita num sucesso comercial, atendendo à proximidade da época festiva. "Refiro-me ao natal, evidentemente", afirmou.


África minha



Aqui fala-se de Deus, Igreja, Preservativos, África e SIDA.
Com interesse. Falta talvez a perspectiva de uma pro-criação doutrinal mais consciente.
Para se proteger das insensatas paixões.

Davidoff

Vai não vai lembro-me de nós. De mobília que é nossa: cheiros, expressões, uma gargalhada. Tactos.
E sempre que entro nesta fico-me, por alto, três ou quatro dias. E depois liga-me. Nunca falha. Sem perceber como é que lhe adivinho o nome quando atendo.
Dou por mim a ter que tornar o impossível em desconfortável.
PS: O que vale é que tenho este assunto resolvido: ela casou-se.
Keizer

novembro 09, 2004

Human kind(ness)


Those with habits of waste
The sense of style and the taste
Of making sure you were right
Hey, don't you know you were right
I'm not afraid anymore
I keep my eyes on the door
But I remember...
Tears and sadness for you
Awe of evil for you
Reflects a moment in time
A special moment in time
Yeah, we wasted our time
We didn't really have time
But we remember
When we were young
Insight, Joy Division.

Quando se atinge o reflexo, quem desferiu o primeiro golpe?
Os estilhaços podem cair para lá do espelho?

Bandeiradas

Tenho discutido com os meus parceiros de blog se a necessidade constrangedora que sinto em meter conversa com chauffers de táxi é ou não merecedora de um post. Já vos adivinho a falta de paciência, sofisticados leitores, mas vejam o exemplo ocorrido entre o Cais do Sodré e Belém (para gáudio da minha irmã mediática):
Diz ele: F...sse! Car...o!
Digo eu: ...(?)
Diz ele: A tua prima! (enquanto se projecta para fora do carro e falha a embraiagem...)
Digo eu (sem perceber e em voz alta): merda!
Diz ele: Perdão?!
Digo eu: ...(?)
Diz ele: Para onde se dirige, Senhor Doutor?
Digo eu: deixe-me onde lhe der mais jeitinho, 'tá bem?

novembro 08, 2004

Eutanásia da velha Europa

Tenham lá paciência mas o blog também me serve de consolo. Já sei bem que ninguém lê coisa de tal porte. Não faz mal. Já me serviu a mim.
Oh Doutor Luís Salgado de Matos! Deixe-me que lhe explique a verdadeira razão da derrota de Kerry nos US: já não temos saco para colunas como a que o senhor escreve na edição de hoje do Público.
A ver: em primeiro lugar, homem: deixe lá de se demonizar pela derrota democrata. O homem ganhou. Vamos passar mal, mas cá continuamos e não desistimos por isso!
Depois: perceba - a razão pela qual eu (não apenas eu mas a asfixiante maioria das pessoas da minha geração) nunca votarei em quase nenhumas eleições - quanto mais numas europeias - deve-se precisamente a esse fenómeno de já ter o Sr. Doutor percebido tudo e a nós nos sobrar apenas o desconforto da ideia. Você ainda por cá anda, sabe?
Com que então ainda não percebemos que Bush ganhou porque não houve mais atentados na Homeland. Atenção Doutor, que me cheira que anda a confundir a pólvora com enxofre. Já percebemos, já. Até nos conforta. Significa (para quem olha da esquerda) que não era a ideia que era má, mas a mensagem que correu mal. A mim soa-me bem, apesar de tudo. A si falta-lhe, como diríam os americanos, closure - parece-me...
E os meios de comunicação social europeus andam a cegar-nos, diz vossa doutorância num... meio de comunicação social europeu. Está certo.
Porque a questão não é se Bush é bom mas se somos aliados dele. Fantástico! Nova teoria de não interessam os fins desde que os meios se justifiquem. Compreendo.
Cavalheiro: então a União Europeia serve apenas para evitar a guerra entre a França e a Alemanha. Olhe: sou muito mais novo que o Sr. (sem ofensa). Mereço mais do que essa Europa. A não ser que me explique (e aos franceses) que o alargamento à Turquia serve para isso. Ou aos alemães de Bonne que o Euro lhes compra apenas isso.
Here's a small glimpse: a Europa não é apenas uma bolha geográfica de segurança entre França e Alemanha. Se me disser isto então passo a fazer como a maior parte dos meus e encolho os ombros como você faz com a eleição de W. Vá-se lixar! A Europa é uma ilha de Paz e um catalizador de progresso quanto mais unida esteja e mais ultrapassados sejam os seus fantasmas. Como o da necessidade de uma cidadania comum para uma moeda comum: andamos a reinar! - ou não temos guardadas nos museus moedas dos tempos da ocupação romana (ou éramos romanos - já não sei?)?
Meu caríssimo assistente (espero que não mais do que isso, se não estamos bem tramados): veja lá se percebe bem o que significa quando alguém lhe diz que a Europa tem que passar a assumir as suas responsabilidades e investir na sua defesa. Deixe-se de populismos de esquerda e pacifismos bacocos que já não pegam: os americanos votaram em quem lhes garantiu zero atentados, remember?? Well they're still wrong in what concearns me!
A Europa não tem que se armar por causa dos EUA ou contra os EUA. A nova ameaça, esta depois da Guerra Fria (essa já acabou Doutor!!) é o terrorismo. E face a ela só há uma de duas hipóteses: ou a maniqueísta tipo eixo do mal do género desta sua frase:
ou a multilateralista, pelo primado do Direito Internacional, pela fé, inabalável, de que o espírito e o génio humano ultrapassam todas as fronteiras e todos os desafios (hum... esta frase soa um pouco americanóide..).
A única coisa, a última coisa que vos peço (à sua geração) enquanto ainda por cá andam a estragar as coisas (a minha difícilmente estragará tanta coisa em tanta tentativa) é: não façam da Europa o reflexo ou o convexo dos EUA. Não por superioridade como supõe, mas porque nos bastava ir para lá: é essa a diferença entre a minha geração e a sua, sabe: você não podia e a mim é-me tão fácil...
Tenho para mim que a necessidade de nos prepararmos não tem que ver com sombra mas com luz. Não é para suplantarmos os EUA. Quaisquer EUA. Mas para sermos voz alternativa. Enquanto andarmos apenas a mandar bocas não temos remédio senão encolhermos ombros como faz o Sr. Doutor. Se entretanto nos inspirarmos e nos constituirmos fortes não haverá apenas uma única "razão". Tanto faz se boa ou má. Haverá sempre outra. Como entre França e Alemanha na CECA, lembra-se? Ou Wilson, nas eleições que perdeu a seguir à 1ª GG.
Disse Vossa Excelência no Público de 14/07/003 (de que não consigo fazer link) "O federalismo europeu e o nacionalismo dos europeus avançam de mãos dadas". "Here, here!" digo eu à melhor maneira do Senado dos US. Não tenha medo. E não encolha os ombros.
O Senhor fala do suícidio da Europa mas propõe algo de muito diferente... Vê o Sr. o copo meio vazio enquanto eu o adivinho meio cheio. Digo da Europa, mais ou menos o que Churchill dizia às tantas, não sei bem de quem: "Nela, facilmente lhe descobriremos os defeitos. Mas levaremos uma vida a aprender-lhe as virtudes."

Fado entaladinho

Gonçalo da Câmara Pereira afirmava este sábado que a homossexualidade é uma questão de educação, embora admitindo que há um ou outro que nasce assim, um num milhão.
Quase ao mesmo tempo, Nuno da Câmara Pereira, em protesto contra o acesso pago ao castelo de São Jorge, discriminando os não lisboetas, ameaçava aparecer no castelo vestido de Martim Moniz para, se necessário fosse, entalar-se nas portas.
Acabou por não levar o gesto às últimas consequências. É pena. Retirou aos lisboetas e demais cidadãos a possibilidade de uma das ideias mais lúdicas e prestáveis dos últimos tempos. Entalar Câmaras Pereiras.

novembro 05, 2004

Por ti cariño

Sin palabras, sin imágenes... para describir el dolor provocado por el cuchillo que se me ha clavado en el pecho al escuchar a Ramos Horta declarar que aprovechó su venida a Portugal para pedir a nuestro Ministro de los Asuntos Exteriores que intercediera junto al Gobierno (... español) para que este apoyase la formación de Timorenses en áreas como la educación y la cultura. ...

A esquerda adolescente

Na vertigem amarga pela derrota da grande esperança americana, surpreendeu a infantilidade de Daniel Oliveira, exorcizando a frustração pelo desaire de Kerry na falta de senso táctico de uma franja da esquerda norte-americana protagonizada por Ralph Nader. Diz, no Barnabé:
Um infantil tiro no pé, pondo-se a jeito para, escusadamente mas muito merecidamente, ouvir isto.
É que não só, em última análise, feriu de morte a natureza do combate à bi-partidarização política, como permitiu-se a responsabilizar o BE pelo governo que temos. Não foi uma incapacidade de fazer a leitura do momento político que terá permitido a Santana Lopes ganhar Lisboa, plataforma para o fim de um ciclo político e palco para se chegar onde chegámos?
A vertigem adolescente é traiçoeira.

A direita adolescente

A celebração pueril pela vitória de George W. levou uma parcela da nossa direita a deliciar-se com os ensinamentos da democracia norte-americana, com a sua mensagem directa, popular, acolhida pelo voto, em contraste com o pretensioso desprezo que lhe votou a esquerda, simplificando-lhe uma caricatura de idiota político e intelectual. Não aprenderam nada, dizem. Ainda que não tenham conseguido alinhar duas razões coerentes para justificar o seu apoio a George W. Isso ficará como um mistério de intelecto.
Escreve, a este propósito, Paulo Pinto Mascarenhas, n'O Acidentado:
Agora, experimentem trocar América e Bush por Venezuela e Chávez.
Quem é que não aprendeu nem percebeu nada? Entusiasmos adolescentes.

novembro 03, 2004

Dean Medicines

Bush venceu. Pela primeira vez, venceu.
Completamente desalentado pela perspectiva que esta vitória implica para os próximos quatro anos da minha, das nossas vidas tenho ainda, no entanto, paciência para reflectir sobre algumas coisas.
E a principal que me vem ocupando a mente desde que ontem comecei a menear a cabeça mal Rui Oliveira e Costa dava a vitória a Kerry (???) é a de que Bush, a sua administração e todos os busheviques pelo mundo fora não passaram a estar certos apenas porque W. ganhou um segundo mandato. Pelo contrário.
A diferença entre estes resultados nos U.S. e os da Espanha de Aznar reside no tipo de mentira contada pelo poder aos eleitores .
Os americanos foram cobardemente atacados no 9/11. Em casa. E o poder americano explicou aos seus eleitores que iria fazer tudo para vingar esse ataque. Tudo. Isto implicava a guerra e sobretudo, caso necessário, implicava mentir a antigos parceiros de alianças atlânticas que passaram a meter água por buracos do mesmo tamanho das WMD's que desapareceram do Iraque.
Em Espanha a mentira foi outra. Não tendo sido atacados em casa o poder explicou aos espanhóis que a melhor forma de evitarem essa probabilidade seria a de alinharem com Washington na aventura das arábias. Só que os espanhóis não acreditaram e fizeram questão de o demonstrar. Nas ruas e em massa. Sofreram em Março as consequências desse alinhamento, e o poder não reconheceu o evidente. Foi demitido.
Bush mentiu e ao fazê-lo cumpriu o que prometeu aos americanos. Aznar mentiu e ao fazê-lo demitiu-se do mandato inequívoco que os espanhóis lhe tinham dado pela segunda vez.
Não estamos melhor. Não andamos mais seguros. Não progredimos nem estamos mais ricos do que há quatro anos atrás.
Quanto a nós, bem... a nós também ninguém nos pergunta nada. A esquerda encolhe os ombros.
Quanto ao frenesim com que a direita, pelo menos alguma, aplaude a vitória republicana, francamente, faz-me lembrar a bajulação ignorante que as famílias portuguesas dispensavam sempre que o padre ía lá a casa.
Mas é lá com eles...

Divã de família (alternative take)

Sampaio pode ter perdido a autoridade mas não perdeu o sentido de humor:
Os segundos mandatos servem para corrigir erros.

U.S. Postal

George W. Bush foi reeleito de forma inequívoca. Maioria no colégio eleitoral e maioria de votos expressos. Para contentamento dos nossos conservadores, neoconservadores, alinhados de fé e crentes de outros alinhamentos. Justo, aliás. E coerente também. Afinal, porque não retirar natural júbilo da expressão da vontade do voto democrático, mesmo que de discutível sensatez, quando podemos também exibir orgulhosamente um executivo que muito deve à sensatez e à inteligência, sufragado de forma igualmente tão inequívoca e democrática? Há que celebrar a democracia. Sempre.
Fazendo prova que a generosidade não escolhe campos, os sinceros parabéns a todos os felizes acidentados, acidentais e desaparecidos em outros acidentes. Não há melhor expressão de democracia que o direito a celebrar o triunfo da mediocridade.

novembro 02, 2004

Finados

Verdadeiramente, perderam-se no tempo. Aquele que Jennifer Charles tomou para si, com a cumplicidade sensual que o lúgubre encerra e hesita em revelar. Mas que sabe ser a razão do seu mistério. Diz-se que a beleza faz desejar a paragem do tempo. Na madrugada de sábado fê-lo mesmo recuar.
Elysian Fields, sábado que, por momentos, passou mais que uma vez.