fevereiro 14, 2005

Quem faz o quê

Relevante não será tanto a instrumentalização da morte da irmã Lúcia. Instrumentalização também o foi a babilónia espiritual construída em torno da vida da irmã Lúcia. Não será igualmente os bispos que se põem a fazer política, como se queixa Inês Teotónio Pereira, provável incómodo de quem não vê abençoadas algumas catequeses tão provincianas e tão nacionais. Nem sequer os políticos que se pôem a fazer solene e beatificada liderança espiritual. Relevante é o paternalismo cúmplice que nos impomos perante a bafienta procissão. Que se queira fazer aceitar como natural a demissão da responsabilidade que a consequência política deve a si mesma, as ideias ou a falta delas. Poderemos sempre esperar que Nossa Senhora, depois dos pastorinhos, faça agora uma aparição a todo o rebanho, iluminando-o nas escolhas para o país. Se já nos livrou do crude, que nos aponte o futuro. Abençoada.