janeiro 24, 2005

Libertação

(...)Não tinha recordação de um trabalho mal feito dar-me uma manhã tão reconfortante. Um desencanto de suspiro milimétrico e o que deveria ter sido um serviço limpo coloriu-me a dormência matinal num fogo-de-artifício de pedacinhos de crâneo. Num espanto tão surpreendente que, em vez do desagrado, não evitei uma saudade melómana, i've found my friends... they're in my head. Poucos privilegiados soltarão assim os encerrados afectos para velarem a despedida enquanto o corpo ainda lança a mão para lhes tocar a gratidão da presença. Ou talvez tenha sido um capricho dos anjos da guarda, invejando a estrutura óssea que gostariam de compreender.
De qualquer forma o café soube-me tão bem.(...)
In Memórias de um atirador furtivo com falta de vista. O melhor. Turvava a execução mas não a procura da saudade.