junho 25, 2004

Infância

Imaginando os milhares que assistiriam ao momento dessa tarde, preparou-se para defender o remate com luvas imaginárias, porque é de mãos nuas que um miúdo agarra os sonhos no recreio da escola ou no descampado onde as mochilas marcam os limites da baliza.
Depois de suster o remate e porque uma tarde épica de meninice nunca se esgota, intemporal e eterna, afasta os companheiros com a autoridade de quem é o dono da bola, pelo menos nesse instante, para ser ele a marcar o próximo, sublime momento de herói de 10 anos.
Já teve milhões de nomes, um por cada criança que soube o que é ser feliz. Ontem chamou-se Ricardo.

Post Scriptum: As lágrimas de Eusébio, redentoras e indissociáveis das de há 38 anos frente à mesma Inglaterra, dizem tudo sobre o amor a esse estranho jogo de crianças chamado futebol.